Gelson: nada como uma cara conhecida para reabilitar um craque

A imprensa já noticia o interesse do Mónaco em contratar o português em definitivo, depois de três golos nos últimos três jogos.

Gelson já marcou três golos no Mónaco.
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Gelson já marcou três golos no Mónaco. Reuters/JEAN-PAUL PELISSIER

É um lugar-comum dizer que um jogador beneficia por ter um treinador conhecido, mas, para Gelson Martins, essa banalidade futebolística assenta perfeitamente. Com Leonardo Jardim a treinar o Mónaco, o extremo português ganhou nova vida, depois de um percurso “cinzento” pelo Atlético de Madrid, clube que o emprestou aos franceses. E já se fala de compra definitiva por parte do clube do principado, que não tem opção de compra no final da temporada.

Paredes-meias com a marina, o casino e os hotéis de luxo, Gelson encontrou, novamente, o bom futebol. São três golos nos últimos três jogos e um Mónaco com três vitórias e um empate nas quatro aparições de Gelson na Liga francesa. Para compor o cenário, dois dos três golos foram bons gestos técnicos vindos do pé direito de um jogador tantas vezes acusado de falhar no momento da finalização.

Gelson começou com uma assistência para golo, na vitória frente ao Toulouse. Marcou, depois, no empate em casa do Montpellier e aumentou o pecúlio nas duas vitórias caseiras frente a Nantes e Lyon. Renascimento feito e novo clube conquistado.

Jardim pediu, o presidente deu e Gelson correspondeu

Importa acrescentar que Gelson Martins não foi lançado por Leonardo Jardim no futebol profissional. O extremo estava no seu último ano de júnior, quando Jardim treinou o Sporting. Mas o conhecimento que o treinador tem da qualidade do português dificilmente não é associável ao renascimento de Gelson: Jardim pediu, o presidente deu e Gelson, até agora, correspondeu.

No relvado, o extremo natural de Cabo-Verde tem feito parte de um grupo de luxo: Adrien e Fàbregas controlam o meio-campo, Golovin e Rony criam o perigo, Gelson e Radamel Falcao (também em bom momento) concretizam-no. Uma receita de sucesso, que tem feito o tradicionalmente despido Estádio Luís II, no principado do Mónaco, agradecer à "armada portuguesa". Quando Leonardo Jardim chegou ao clube, para substituir Thierry Henry, a equipa estava em zona de descida de divisão. Agora, com Jardim ao leme – mais as chegadas de Adrien e Gelson –, já ocupa o 16.º lugar, cinco pontos acima da zona de despromoção.

Gelson tem feito as delícias dos monegascos e, segundo a Rádio Montecarlo, o clube está a planear apresentar ao Atlético uma proposta de 30 milhões de euros. A complicar tudo isto poderá estar, no entanto, o diferendo ainda existente entre o Sporting e o clube espanhol. Após o ataque à Academia de Alcochete, Gelson rescindiu unilateralmente o contrato que o ligava aos “leões”, assinando a “custo zero” pelo Atlético. As negociações entre portugueses e espanhóis poucos frutos deram, segundo o que tem sido noticiado, pelo que o Sporting poderá forçar a resolução em tribunal, exigindo cerca de 100 milhões de euros.

É impossível saber, para já, se este diferendo terá impacto na possibilidade de Gelson continuar no Mónaco, mas três coisas são certas: Gelson deu-se bem no principado, Jardim gosta de ter sempre um núcleo português no plantel e os adeptos monegascos dificilmente enjeitariam a possibilidade de continuar a ter o craque com a tradicional camisola branca e encarnada.