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THOMAS JORION

Um fotógrafo, uma câmara e a “fragilidade da existência humana” numa Itália em ruínas

A galeria Esther Woerdehoff, em Paris, alberga a mais recente exposição de Thomas Jorion. Até 6 de Abril, as fotografias permitem ao espectador uma viagem pela arquitectura italiana em ruínas.

Num país repleto de história, nem tudo sobrevive à passagem do tempo. Thomas Jorion, fotógrafo autodidacta de 43 anos, viajou por Itália à procura de marcos de arquitectura abandonados. São casas, palácios e jardins dos séculos XVIII e XIX esquecidos pelo tempo mas recordados pelo francês na sua mais recente exposição.

Intitulada Veduta — que em italiano significa “vista” — a exposição inspira-se nas pinturas do Renascimento italiano, em particular na representação da perspectiva de cenários urbanos. “Vi um paralelo com o meu trabalho baseado nestes cenários italianos que fotografei com uma câmara de grande formato”, conta o artista em declarações por email ao P3.

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As fotos de Thomas salientam o contraste entre o interior decorativo e o estado de ruína que os edifícios agora apresentam, com a natureza a ocupar o lugar do ser humano. As imagens, diz, têm uma certa “qualidade onírica” ao representarem a “fragilidade da existência humana": "Lembram-nos que somos cidadãos temporários nesta Terra.”

Fortemente assentes no uso da luz natural, cada fotografia tem a sua própria personalidade. “Acho que estou a tentar capturar uma atmosfera, uma tensão que vejo durante as minhas visitas. Às vezes há uma combinação de diferentes elementos: geometria, luz, cores. Quando todos estes se juntam, faço uma fotografia”, explica Thomas.

Este não é a primeira experiência de Thomas Jorion a fotografar edifícios em ruínas. O fotógrafo admite que a génese da exposição remonta à sua infância. “Quando era criança, com amigos, explorávamos a nossa zona de bicicleta à procura de casas, esgotos, armazéns, etc. E, mais tarde, quando tinha 19/20 anos, tive a minha primeira SLR [câmara reflex monobjectiva]. O meu segundo ou terceiro rolo de filme foi dedicado a um castelo abandonado em que tinha reparado perto da minha casa. Graças a essa câmara, restabeleci a ligação com os meus prazeres interiores e os arrepios que acciona sentir a atmosfera e o cheiro daquele espaço recluso. Estou agora a documentar esses espaços com uma câmara enquanto antes era apenas um espectador passivo”.

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Se "ao início" fotografava apenas para "ter registo dos sítios antes de desaparecerem", como contou ao portal My Modern Met, com o tempo algo mudou. "Depois apercebi-me que havia uma beleza, uma estética, que emergia com formas, cores e luzes. Eu não procuro necessariamente o abandono, mas sim a pátina do tempo." Como ele, outros fotógrafos têm vindo a interessar-se por esta temática, dando cada vez mais força ao movimento ruin porn (ou fotografia de ruínas), cujos protagonistas procuram captar ruínas e edifícos abandonados, de forma a enfatizar o declínio urbano e a própria decadência humana.

Hoje em dia, Thomas viaja pelo mundo acompanhado da sua câmara analógica de grande formato à procura de locais para fotografar. Com cerca de oito quilogramas de equipamento às costas (para além da câmara, carrega lentes e acessórios), o fotógrafo prefere viajar sozinho, pois assim consegue focar-se melhor no trabalho em mãos, ao ritmo que preferir.

Esteve recentemente no Senegal, onde tirou fotografias a pensar numa exposição futura que diverge das anteriores por tentar “integrar personagens": "O assunto pedia-o", ressalva. E mais não adianta. Para já, Veduta pode ser visitada na galeria Esther Woerdehoff, em Paris, que já acolheu trabalhos anteriores do fotógrafo. As cerca de 30 imagens em exposição foram colocadas em molduras sem vidro — um "filtro" desnecessário, na opinião do fotógrafo. As portas estão abertas até 6 de Abril.

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