Ronaldo e Guardiola de regresso às “zonas de massacre”

O Atlético de Madrid é a terceira equipa do mundo que mais sofreu com Ronaldo, enquanto Guardiola, de regresso à Alemanha, defronta uma equipa contra a qual nunca perdeu.

Ronaldo festeja um golo frente ao Atlético, em 2017.
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Ronaldo festeja um golo frente ao Atlético, em 2017. LUSA/Chema Moya

Se um golo de Ronaldo já pouco costuma render nas casas de apostas, nesta quarta-feira de Liga dos Campeões a premissa é ainda mais real. É que o português tem viagem marcada, com a Juventus, ao terreno do Atlético de Madrid, equipa que, em bom português, já não pode ver Ronaldo à frente. São 22 golos em 31 jogos frente ao Atlético (só ao Sevilha e ao Getafe o português marcou mais) e quatro sucessos em quatro eliminatórias europeias frente à equipa de Madrid. Na antevisão do jogo, Diego Simeone, treinador do Atlético, não quis comprometer-se: “Ronaldo? Nós pensamos é no Griezmann, no Morata, no Lemar, no Koke…”, disparou.

Mais do que o habitual "massacre" de Ronaldo ao Atlético, esta eliminatória tem outro motivo de interesse: com a final da Champions a ser jogada no Wanda Metropolitano, Ronaldo e companhia podem “roubar” ao Atlético, já nestes oitavos-de-final, o sonho de jogar a final em casa.

Este jogo traz, ainda, o equilíbrio de forças opostas: de um lado, a quarta equipa mais rematadora da Champions, a Juventus, enquanto do outro joga a equipa que menos remates concede ao adversário, o Atlético. Como trivialidade extra futebol, a imprensa internacional tem apontado Dybala e Douglas Costa ao Atlético, bem como Giménez e Saúl Ñíguez à "Juve". Será uma boa oportunidade para planear futuros negócios entre italianos e espanhóis.

A Juventus vai a Madrid com a promessa de que o Atlético, como quinta equipa mais indisciplinada da Champions, terá poucos problemas em usar a agressividade para parar Ronaldo, Manduzkic ou Dybala. Na antevisão do jogo, Massimiliano Allegri elogiou a qualidade defensiva do Atlético e deixou um aviso interno: “Ter Ronaldo é uma vantagem, mas não chega”. Segundo a imprensa italiana, o treinador planeia fazer de João Cancelo um “presente-surpresa” para o Atlético: o português poderá ser chamado para jogar na ala, ainda que Allegri tenha garantido que não será Dybala a sair da equipa. Douglas Costa e Cuadrado não deverão estar aptos para jogar, tal como Khedira, que ficou em Turim.

Do lado contrário, a imprensa espanhola espera que Diego Simeone tire ao ex-Sporting Santiago Arias (titular em 17 dos últimos 18 jogos) a possibilidade de ter um tête-à-tête com Ronaldo e o colombiano deverá dar lugar ao mais experiente Juanfran, num lote de escolhas que poucas dores de cabeça trouxe a Simeone: apenas Lucas Hernández ficará de fora. O treinador argentino destacou que esta eliminatória não é uma final antecipada e que cada uma das equipas tem 50% de probabilidade de passar. O técnico aventurou-se, ainda, em questões práticas: avançou que Diego Costa “não consegue aguentar 90 minutos” e disse, sobre o meio campo, que “há a possibilidade de jogar Koke ou Lemar”.

Elogios a Bernardo Silva

Voltando ao mote do título, a quarta-feira milionária trará mais um regresso a uma “zona de massacre”. Pep Guardiola vai à Alemanha defrontar um Schalke 04 com o qual nunca perdeu, na passagem pelo Bayern Munique. O Manchester City defronta os alemães, em Gelsenkirchen, e o técnico catalão não terá a colaboração de Gabriel Jesus, Mendy, Stones e Delph, mas terá o tão amado Bernardo. Na antevisão deste jogo vieram mais elogios ao português: “Portugal tem sorte em tê-lo. Adoro-o. É um dos jogadores mais talentosos que já vi e é um dos dois ou três melhores jogadores da Liga Inglesa. Além disso, é uma pessoa adorável. Nunca faz má cara quando joga cinco minutos e é o rapaz mais acarinhado no plantel”.

O Schalke, por sua vez, deverá preocupar-se em treinar a defesa de "bolas paradas". Apesar do futebol apoiado, o City é, curiosamente, a segunda equipa que mais marcou em lances deste tipo, na Champions. Os alemães recebem o City sem Embolo, Mascarell, Schopf e Stambouli e o treinador, Domenico Tedesco, não teve problemas em assumir: “Somos o underdog e claramente não somos favoritos”.