Na HBO Portugal, “todas as estreias serão simultâneas” com os EUA — mesmo A Guerra dos Tronos

“O mercado em Portugal está maduro”, disse o presidente da HBO Europe em Lisboa esta terça-feira, e “vai explodir”. Hoje somos espectadores num cenário planetário e o simultâneo quer combater a pirataria e a concorrência, mas os preços do serviço que se estreou na segunda-feira são ajustados a Portugal.

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A Guerra dos Tronos é um dos acontecimentos televisivos de 2019 hbo
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O novo actor no jogo da televisão em Portugal chega com vontade de protagonismo: a HBO Portugal foi directamente para o streaming sem passar pela casa dos canais convencionais, porque o streaming “é o que está em ebulição”, e vai estrear todos os conteúdos da marca norte-americana em simultâneo (sim, incluindo os novos episódios de A Guerra dos Tronos). “O mercado em Portugal está maduro”, disse o presidente da HBO Europe, Hervé Payan, em conferência de imprensa esta terça-feira, e “vai explodir”.

Na conferência de imprensa, Payan prometeu produção nacional e novos horários para os devoradores de séries. O maior fenómeno televisivo global do século, A Guerra dos Tronos, é uma série HBO, e a sua última temporada chegará umas horas antes do que o esperado aos ecrãs portugueses — o SyFy tem o exclusivo televisivo e exibe os episódios às segundas à noite a partir de 15 de Abril, mas a HBO Portugal tem o exclusivo da estreia simultânea com os Estados Unidos e vai disponibilizá-los logo às 2h da manhã do mesmo dia.

Hoje somos espectadores num cenário planetário, doravante “todas as estreias serão simultâneas, sempre”, com o país de origem das séries, respondeu Payan ao PÚBLICO. “Porque se não o fizermos os piratas vão tê-las antes.”

A HBO está desde segunda-feira pela primeira vez em Portugal com um canal próprio, mas digital e não como mais um canal na lista do zapping dos operadores de TV. Porquê? “Já não fazemos canais de televisão tradicionais nos novos mercados. Fizemos isso na HBO Nordic [no mercado escandinavo] e parámos”, esclareceu Hervé Payan ao PÚBLICO, enquanto esperava para ser fotografado com os actores Rodrigo Santoro (Westworld) e Stephen Dorff (True Detective), que vieram a Portugal apresentar as suas séries. “Porque o OTT [o “over the top”, ou conteúdos distribuídos pela Internet sem a mediação de um operador] é o que está em ebulição. Os dois mercados estão a desenvolver-se, mas o OTT é muito mais interessante”, rematou.

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Payan e Mário Vaz, presidente da Vodafone Portugal, dizem ter-se adaptado ao país. “Ajustámos o preço”, disse o presidente da HBO Europe sobre os 4,99 euros que custa a subscrição, “Não somos como a América, não vemos a Europa como um único grande mercado. O preço em Portugal é muito diferente do de outros países”, atentou — em Espanha é 7,99 euros, o mesmo preço que o pacote básico Netflix em Portugal, por exemplo, onde a Amazon custa 5,99 euros (2,99 euros nos primeiros seis meses) e serviços como o Meo Séries 5 euros e o Nos Play 7,50 euros. “Achamos que é o preço certo para o país.”

Para o consumidor-espectador, o que significa a HBO Portugal? Mais opções, mas também a necessidade de maior selecção — é mais um serviço que aproxima o mercado da variedade dos países produtores como EUA e do futuro cada vez mais presente em que cada grande centro de produção ou distribuição concentra a sua oferta no seu próprio serviço on demand (um dos mais aguardados é o Disney+, que agregará o catálogo do estúdio e os super-heróis da Marvel ou os Jedi de Star Wars). É mais um concorrente para o Netflix, a plataforma dominante em Portugal, com séries originais com a marca que começou a promover-se nos EUA nos anos 1990 com o slogan “não é TV, é HBO”, mas também, como os seus concorrentes, com filmes e séries de outros canais e produtores.

“a HBO viu no mercado português uma oportunidade”, diz Mário Vaz. Um mercado a mexer. “Não há mercados pequenos. Vemos o mesmo padrão em toda a Europa”, explicou Hervé Payan sobre os agora 21 países onde está a HBO Europe. “O facto de haver vários operadores OTT a competir chama a atenção, os mais jovens começam a subscrever” e a seguir vêm os restantes. Que na esmagadora maioria portuguesa continuam a ver televisão pelos operadores de cabo — são 84,3% das famílias no primeiro semestre de 2018, segundo a Anacom (com a Nos e o Meo a dominar), que indica ainda que 8,1% dos indivíduos com dez ou mais anos têm assinaturas de serviços de streaming, número que cresceu 3,6% entre o primeiro semestre de 2017 e o mesmo período de 2018.

Mais do que HBO

Novas séries e documentários HBO como Big Little Lies, Watchmen ou o polémico Leaving Neverland, sobre dois homens que acusam Michael Jackson de abuso sexual, mas também a história que o podcast Serial lançou, The Case Against Adnan Syed, chegarão na data americana a Portugal. Alguns títulos HBO que ainda não estavam no serviço esta terça-feira, como Last Week with John Oliver, chegarão, disse o responsável, porque “Roma não se fez num dia”. Há ainda os filmes Harry Potter ou Mulher-Maravilha, entre mais de 4500 títulos como Os Sopranos, Sete Palmos de Terra, as novas Amiga Genial (baseado na tetralogia de Elena Ferrante), Patrick Melrose, Killing Eve ou Sharp Objects.

Depois de cerca de três anos com as novas séries da HBO a estrear no canal TV Séries, a HBO Portugal é agora um serviço de video on demand por subscrição, mas que, tal como o Netflix fez em 2016, chega ao país também nos menus de um operador — novamente a Vodafone, que tem o acesso exclusivo via serviço de televisão (além do simples computador, a plataforma está acessível através de dispositivos como o Chromecast e em breve na Apple TV). O contrato de exclusividade da HBO com a Vodafone é de “mais do que dois anos”, respondeu ao PÚBLICO Mário Vaz. Mas “serão os nossos clientes que irão determinar a duração” dessa ligação, frisou, que assentará ainda na “experiência de trabalho conjunto”.

Da manhã ficaram ainda algumas promessas. “Queremos ter novas séries todas as semanas”, disse Hervé Payan. “Fazemos produção local em todos os países para onde vamos, mas isso leva tempo”, disse ainda, estimando que a produção em Portugal possa seguir o mesmo caminho de Espanha, “dois ou três anos” antes de ter a sua primeira série original portuguesa.

Notícia corrigida a 13 de Fevereiro: acrescenta-se preço introdutório mensal do serviço Amazon Prime