Fernando Guerra, o fotógrafo que voa sobre a arquitectura, está a chegar ao cinema

A carreira de Fernando Guerra é o tema de um documentário de Sara Nunes, que será estreado em Junho, em Lisboa.

Fernando Guerra
Foto
Fernando Guerra DR

Álvaro Siza chamou-lhe, um dia, o “fotógrafo voador” e Sara Nunes achou que este seria o título certo para o documentário que acaba de realizar sobre a carreira de Fernando Guerra (Lisboa, 1970), reconhecidamente um dos grandes fotógrafos de arquitectura da actualidade.

O Fotógrafo Voador é um documentário produzido pela Building Pictures, uma empresa do UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, e tem estreia já agendada para o próximo mês de Junho, em Lisboa, no programa do Arquitecturas Film Festival, que decorre de 4 a 9 Junho no Cinema São Jorge – seguir-se-á a sua apresentação na Casa da Arquitectura, em Matosinhos, em data ainda a definir.

Resultado de um ano de acompanhamento do trabalho de Fernando Guerra um pouco por todo o mundo, O Fotógrafo Voador documenta o seu processo criativo, mas também o seu lado mais pessoal. “O Fernando tem procurado estar longe das câmaras das entrevistas, por isso esta é uma oportunidade única de conhecer as histórias, as paixões, o olhar, e embarcar no processo criativo dele”, diz a realizadora, citada num comunicado da Building Pictures, sobre este filme que é apresentado como um trabalho inédito sobre a carreira de Guerra. Sara Nunes acrescenta que o seu “principal objectivo é que o filme chegue à Netflix”.

O documentário regista também o trabalho do fotógrafo português através dos olhares de alguns dos arquitectos com quem tem trabalhado, nomeadamente os brasileiros Isay Weinfeld, Arthur Casas e Márcio Kogan, e membros do atelier X-Architects, dos Emirados Árabes Unidos. Além, claro, de Álvaro Siza, que confessa gostar “de ver aquilo que ele descobre” na sua arquitectura.

“Aquilo que me interessa são sempre as pessoas, e a arquitectura pelo meio”, diz Fernando Guerra, logo a abrir o trailer de O Fotógrafo Voador, divulgado esta segunda-feira. Na verdade, uma das marcas, e novidades, da sua fotografia é a presença das pessoas, mas também dos animais e de objectos, criando uma muito pessoal noção de escala no olhar sobre a arquitectura. Fernando Guerra foi também um dos primeiros a utilizar a fotografia digital e a socorrer-se de drones para melhor captar a relação da obra arquitectónica com o espaço envolvente.

Licenciado em Arquitectura pela Universidade Lusíada de Lisboa (1993), Fernando Guerra começou por exercer a profissão em Macau, entre 1994 e 1999. Neste ano, tornou-se professor de Projecto no curso de Arquitectura da Arca, na Escola Universitária das Artes de Coimbra, onde se manteve até 2005.

Foi também na viragem do século que iniciou a sua relação de trabalho com Álvaro Siza, cuja obra tem acompanhado e fotografado por todo o mundo. Mas a carteira profissional e artística de Fernando Guerra inclui obras de vários outros arquitectos portugueses, tendo trabalhos seus representados em várias colecções públicas e privadas – em 2014, o MoMA, de Nova Iorque, adquiriu para a sua colecção de Arquitectura cinco fotografias do Museu Iberê Camargo, projectado por Siza para a cidade brasileira de Porto Alegre.

Há cerca de duas décadas, Fernando Guerra fundou em Lisboa, com o seu irmão Sérgio Guerra, o estúdio de fotografia FG+SG, que regularmente edita publicações de arquitectura em Portugal e no estrangeiro.