Operação Fizz: Proença de Carvalho acusa ex-procurador Orlando Figueira de "denúncia caluniosa"

O advogado Proença de Carvalho afirma que o ex-procurador revela um "comportamento próprio de um mentiroso compulsivo" e acusa-o de tentar instrumentalizar o Ministério Público.

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LUSA/MÁRIO CRUZ

O advogado Daniel Proença de Carvalho classificou hoje como uma "denúncia caluniosa" e uma tentativa de instrumentalização do Ministério Público a participação contra si, feita pelo ex-procurador Orlando Figueira, condenado na Operação Fizz.

O Ministério Público instaurou um inquérito para investigar a alegada participação do advogado Proença de Carvalho e do banqueiro angolano Carlos Silva no caso "Operação Fizz", após participação de Orlando Figueira, que foi condenado a seis anos e oito meses por corrupção passiva qualificada, branqueamento de capitais, violação do segredo de justiça e falsificação de documentos.

"É lamentável a tentativa que o referido senhor faz de instrumentalizar o Ministério Público, através da apresentação de uma denúncia caluniosa, com o objectivo manifesto de atingir o bom nome de pessoas que nenhuma relação têm com os crimes praticados por Orlando Figueira", escreveu Proença de Carvalho num comunicado enviado à agência Lusa.

Durante o julgamento, Orlando Figueira insistiu sempre na tese de que tinha sido contratado pelo banqueiro luso-angolano Carlos José da Silva para ir trabalhar como assessor jurídico para Angola, depois de ter saído do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) e que o cancelamento do seu contrato de trabalho tinha sido efectuado pelo advogado Proença de Carvalho, com quem tinha feito um "acordo de cavalheiros".

Ouvidos como testemunhas em julgamento, Carlos Silva e Proença de Carvalho negaram tais factos.

No comunicado, Proença de Carvalho sustenta que "tais mentiras foram expostas e desmascaradas, uma a uma, pelo Tribunal Colectivo [de julgamento]", acrescentando que, enquanto testemunha, teve oportunidade de prestar os esclarecimentos pedidos, e que os juízes consideraram o seu depoimento "credível".

O advogado afirma que o ex-procurador revela um "comportamento próprio de um mentiroso compulsivo" e que "a insistência nas mentiras (...) só pode ser vista à luz de uma obsessão doentia ou uma estratégia processual".

A abertura de inquérito pelo Ministério Público foi confirmada à Lusa pela Procuradoria-Geral da República, após a notícia ter sido avançada pela RTP.

A procuradora da Operação Fizz Leonor Machado disse, em julgamento, que iria extrair certidões contra o banqueiro e o advogado.

Orlando Figueira foi condenado a 07 de Dezembro do ano passado a seis anos e oito meses de prisão e o advogado Paulo Amaral Blanco a quatro anos e quatro meses de prisão com pena suspensa. 

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