André Ventura quer castração química de pedófilos, prisão perpétua e maior controlo de fronteiras

Chega entregou nesta quarta-feira assinaturas no Tribunal Constitucional para tentar formalizar o partido. "Não sou o Bolsonaro português", disse.

André Ventura à chegada ao TC
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André Ventura à chegada ao TC LUSA/João Relvas

André Ventura entregou nesta quarta-feira no Tribunal Constitucional (TC) mais de 7.500 assinaturas para tentar formalizar o Chega como partido político. “Hoje é um dia importante para a democracia”, afirmou o líder do movimento logo à chegada ao Palácio Ratton.

Castração química para os pedófilos, possibilidade de aplicar a pena de prisão perpétua, um controlo das fronteiras mais apertado e a redução do número de deputados de 230 para 100 foram algumas propostas reafirmadas esta quarta-feira por André Ventura.

O facto de algumas destas propostas, como a prisão perpétua, violarem a Constituição e poderem levar o TC a não formalizar o Chega não preocupa André Ventura. “Este tribunal [TC] é o garante da nossa democracia e da nossa Constituição. Se neste país democrático um tribunal, ou uma qualquer instância, dissesse que, por haver medidas contrárias à Constituição, não vamos permitir que esse país exista, acho que temos de repensar muito a democracia em que vivemos. Porque significa uma coisa grave: significa que há 40 e muitos anos um grupo de pessoas definiu para sempre o que nós podemos ser e o que não podemos ser. E isso eu não admito", afirmou aos jornalistas à saída do tribunal, acompanhado por uma dezena de apoiantes.

Ventura também recusa considerar o Chega como um partido de extrema-direita, populista ou de ser apelidado de “Bolsonaro português”.

“Nós procuramos vivamente combater estes estereótipos. Nós podíamos ter aqui jogadas de bastidores relativamente à castração química dos pedófilos, ou relativamente à prisão perpétua e dizer: 'bom, não é bem isto que nós defendemos'. Não, nós defendemos isto e, ao defendermos isto, é preciso coragem (…). Populista ou não é o que defendemos. (…) E não, não sou o Bolsonaro português. O Chega não tem nada de Bolsonaro, o Chega é português, nasce para lutar por Portugal e vai lutar por Portugal”, acrescentou.

 Ventura define o Chega como "um partido que vem essencialmente para ser alternativa ao centro direita e à direita que parece não existir". "Não só desde que o doutor Rui Rio tomou conta do PSD, mas desde que a direita decidiu esquecer-se que era centro-direita e direita. O Chega vai ocupar esse espaço e vai dizer a António Costa que o tempo sem oposição já acabou em Portugal", salientou.

André Ventura revelou ainda que a primeira convenção do eventual partido terá lugar no final de Fevereiro, princípio de Março, altura em que conta ter já o Chega formalizado como partido político. Nessa convenção serão definidos os candidatos do eventual partido às eleições europeias e legislativas, que terão lugar este ano, e apresentado o manifesto do Chega.