O adeus emotivo de Andy Murray. "A dor é demasiada"

Apesar de ser conhecida a sua lesão na anca, o britânico surpreendeu o mundo do ténis e não conteve as lágrimas ao revelar que se vai despedir em breve.

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Andy Murray não conteve as emoções em conferência de imprensa EPA/DANIEL POCKETT

O ano de 2019 mal arrancou e o ténis vai perder mais um ícone. O britânico Andy Murray anunciou esta sexta-feira que vai deixar os courts, admitindo que o Open da Austrália pode até ser o seu último torneio. Uma lesão na anca tem afectado o rendimento do antigo número um do ranking mundial ATP nos últimos anos. Desde a operação em Janeiro de 2018, Murray participou apenas em 12 partidas.

Murray, de 31 anos, disse numa conferência de imprensa que tem treinado com o objectivo principal de fazer uma última participação no torneio de Wimbledon, em Julho, onde venceu por duas vezes.

Por enquanto, o tenista vai jogar na Austrália, mas não a um nível que lhe satisfaça. "Mas também não é só isso. A dor é demasiada​. Não tenho a certeza se consigo jogar com estas dores durante mais quatro ou cinco meses", lamentou. O jogador, emocionado, chegou mesmo a abandonar a sala a chorar, mas regressou para afirmar que não tinha certeza sobre o tempo que poderia ainda jogar.

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O tricampeão de torneios do Grand Slam vai disputar a sua primeira partida no próximo Open da Austrália contra o número 23 do ranking, Roberto Bautista, numa prova em que foi finalista vencido em cinco ocasiões.

O escocês voltou aos campos em Brisbane, também na Austrália, na semana passada, onde venceu a sua partida de estreia, mas perdeu na segunda ronda para Daniil Medvedev. Ao longo desse jogo, Murray mostrou estar bastante queixoso.

Andy Murray teve uma carreira de sucesso, acabando com o jejum dos britânicos em competições do Grand Slam, quando venceu o Open dos Estados Unidos em 2012 e Wimbledon no ano seguinte, tornando-se no único jogador a ganhar medalhas de ouro consecutivas nas Olimpíadas.

Murray, que chegou a seis finais em torneios de Grand Slam, contabiliza 663 vitórias e 190 derrotas, que resultaram na conquista de 45 títulos, entre eles os de Wimbledon (2013 e 2016) e o Open dos Estados Unidos (2012), bem como em duas medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos (2012 e 2016). Venceu a primeira Taça Davis para a equipa do Reino Unido em 2015, um troféu que não era conquistado desde 1936. Também desde esse ano que nenhum jogador britânico vencia um torneio de Grand Slam. Chegou ao primeiro lugar do ranking ATP em Novembro de 2016, sendo o segundo praticante da modalidade mais velho a fazê-lo.

Natural de Glasgow, Murray fez parte do grupo de quatro tenistas masculinos que dominaram num mesmo período os grandes torneios mundiais, com Roger Federer, Rafael Nadal e Novak Djokovic.

Agora, será provavelmente o mais novo deste quarteto a aposentar-se. Aos 37 anos, Federer está na Austrália para tentar conquistar o título pelo terceiro ano consecutivo e pela sétima vez no geral. Aos 31 anos, Djokovic, no topo do ranking ATP, procura conquistar o sétimo título australiano. Nadal, de 32 anos, número dois do ranking, está confiante em prolongar a sua carreira por mais alguns anos.

"Sir" Andy Murray (o título foi-lhe dado depois da conquista de Wimbledon em 2016) está actualmente no posto número 230 da classificação mundial e em 2018 chegou a estar no lugar 839. É irmão de Jamie Murray, tenista especialista em partidas de duplas, e filho de Roy Erkskine, ex-futebolista no Hibernian FC. Lado a lado com o ténis, a infância de Andy Murray ficou marcada pela sua sobrevivência ao massacre da escola primária de Dumblane, em 13 de Março de 1996, quando um homem entrou armado por uma sala de aulas e alvejou mortalmente 16 crianças e uma professora.