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2019 é o ano da tabela de tudo e de todos

Que atire o primeiro elemento químico o apaixonado pela química que não tem um caderno ou qualquer outro acessório com a Tabela Periódica. Confesso, sou dessas e espero que 2019 ajude a que mais o sejam.

Símbolos químicos, grupos, períodos, linhas, colunas. Sim, é aquela tabela que faz lembrar um puzzle ou mesmo um jogo de tetris, que pode assustar uns e apaixonar outros — a Tabela Periódica dos Elementos Químicos. Está por todo lado, e não só nos laboratórios: das t-shirts aos memes pela Internet fora, até às séries como a Teoria do Big Bang ou Breaking Bad, que atire o primeiro elemento químico o apaixonado pela química que não tem um caderno ou qualquer outro acessório com a Tabela Periódica. Confesso, sou dessas e espero que 2019 ajude a que mais o sejam.

2019 é o Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos, o ano de celebrar os 150 anos da famosa tabela, mas também de celebrar tudo o que nos rodeia, os 118 elementos, a ciência, a descoberta, a construção do conhecimento. Acima de tudo, a curiosidade e a audácia. Esta foi a decisão da Assembleia Geral da ONU, que decidiu marcar a celebração deste que é um ícone da química e uma das conquistas mais importantes da ciência.

Dos mais conhecidos, como o simples hidrogénio (H) , o carbono (C) ou até o ouro (Au), aos mais exóticos, como o nobre árgon (Ar) ou o último da tabela, oganésson (Og), todos os elementos descobertos até agora estão  organizados de forma genial: 118 elementos, distribuídos em sete períodos e 18 grupos. Cada elemento químico tem a sua identidade única e aqui conseguimos identificar essa mesma “impressão digital”.

E se agora damos como algo adquirido, a história desta tabela consegue mostrar-nos muito sobre a importância da construção contínua do conhecimento científico. Até pode parece fácil desenhar uma tabela, contudo foram dadas várias voltas, levantadas várias questões e vários tentaram chegar até esta organização — até que Dimitri Mendeleiev, um químico russo, o conseguiu.

Conta a história que o químico, numa das suas noites de trabalho, estava tão exausto que adormeceu sobre a secretária, enquanto tentava organizar os elementos químicos. Durante o sono, sonhou que existia uma tabela onde todos os elementos estavam agrupados. Ao acordar fez a primeira versão da mesma, com apenas 66 elementos, criando a que seria a primeira versão deste instrumento completamente inovador e revolucionário para todos os químicos.

Se esta versão da história é verdade ou não, não sabemos, mas sabemos que foi a ousadia de Mendeleiev que a tornou possível. O químico teve ainda a audácia de deixar espaço para todos os elementos que faltavam descobrir, não os vendo como lacunas mas sim como oportunidades de descoberta para a ciência. Afinal, o processo científico é isso mesmo — a construção contínua do conhecimento — e muitos foram os químicos que até aos dias de hoje contribuíram para que todas as peças deste puzzle fossem encaixadas.

O puzzle pode parecer completo, mas na realidade ninguém sabe o que os mistérios da ciência nos reservam. E se as previsões dizem que esta é finita, ainda não temos a resposta de qual será realmente o último elemento da Tabela Periódica. E o fascínio, pelo menos para mim, é esse mesmo: o da descoberta, mas acima de tudo o da procura.

A Tabela Periódica simboliza a universalidade da linguagem da matéria, da ciência e da sua contribuição para a humanidade. Por isso, em 2019, deixo o desafio de se deixarem fascinar pela química, esse bicho de sete moléculas para tantos, que pode e deve ser transformado na maneira de ver e pensar. Aproveitem as iniciativas, riam-se com as piadas e brincadeiras com os átomos e, quando menos esperarem, estarão a ver o mundo com os olhos da química.