Benfica: desafios prementes e objectivos imediatos

Bruno Lage terá de compatibilizar um calendário exigente com a recuperação da identidade da equipa, ao mesmo tempo que o clube aborda o mercado de Inverno.

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LUSA/PEDRO SARMENTO COSTA

Assumir um clube com as ambições do Benfica a meio da temporada, com o comboio em andamento, já nunca seria uma tarefa simples, mas Bruno Lage tomará as rédeas dos "encarnados" numa situação particularmente delicada. Para além dos sete pontos de atraso face ao FC Porto, líder do campeonato, as "águias" têm um conjunto de outros desafios pela frente. Muitos deles impostos por um mês de Janeiro sobrecarregado em termos competitivos, outros pela recuperação da identidade do jogar da equipa, outros ainda pelos ajustes nos plantéis que são típicos do mercado de transferências de Inverno.

Processo ofensivo

A previsibilidade do Benfica no momento da organização ofensiva tem sido uma das grandes fragilidades ao longo desta época. A forma como é incapaz de explorar o corredor central (seja para progredir, seja para atrair e libertar espaço nas alas) tem tornado os “encarnados” numa presa fácil para a maioria dos adversários. Especialmente para aqueles que têm na organização defensiva o seu momento mais competente.

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Transição defensiva

As debilidades neste momento do jogo também foram postas a nu nos duelos com Moreirense, Belenenses SAD, Desp. Aves ou Portimonense (só para citar os mais óbvios). Sem preparar devidamente o momento da perda aquando da organização ofensiva, os “encarnados” não têm sido capazes de estancar o mal na origem. E resguardaram-se nos últimos tempos baixando muito o bloco, o que os afastou do último terço do campo.

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Ajustes no plantel

É óbvio que por esta altura o Benfica já terá identificado as lacunas no plantel e as oportunidades de mercado, mas o treinador interino deverá ter uma palavra a dizer, nomeadamente no que respeita aos actuais activos. A este respeito, há uma série de questões que a administração “encarnada” terá de abordar. Até que ponto contará Bruno Lage com dois dos jogadores mais caros do elenco e que praticamente não contavam para Rui Vitória? Referimo-nos aos avançados Castillo e Ferreyra. Até que ponto considerará obrigatório apostar (mais uma vez, depois dos falhanços até à data) num verdadeiro concorrente para ombrear com André Almeida no lado direito da defesa? Até que ponto achará conveniente prescindir de um central (e o argentino Lema stará na linha da frente) no contexto da recente insegurança manifestada no eixo da defesa?

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Taça da Liga

Obrigado a tomar decisões em contra-relógio, Bruno Lage terá de compatibilizar o raios-X ao plantel com o (tão rápido quanto possível) desenvolvimento da sua ideia de jogo. E fá-lo-á num contexto de especial exigência, debaixo de um calendário competitivo sobrecarregado. A primeira competição a ficar fechada em 2019 é a Taça da Liga, cujo troféu será entregue já no final do mês. Para manter vivas as quatro frentes em que o Benfica compete, Bruno Lage terá de “sobreviver” à exigente meia-final diante do FC Porto, que será disputada em Braga, já no dia 22. Em caso de sucesso, premiado com a presença na final da prova, elevará para oito os encontros realizados pelas “águias” em Janeiro. É nestas alturas que um plantel extenso e devidamente motivado pode fazer a diferença.

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Taça de Portugal

Quis o calendário que o Benfica fizesse uma dupla visita ao Estádio D. Afonso Henriques no período de quatro dias. O primeiro desses encontros diante do V. Guimarães está marcado para o dia 15 e é a eliminar. Para poderem continuar a sonhar com a conquista da prova-rainha do futebol nacional, os “encarnados” terão de vencer um rival que nesta temporada já derrotou o FC Porto (no Estádio do Dragão)e o Sporting. E para evitarem uma derrapagem ainda maior no campeonato terão de repetir a fórmula dias mais tarde.

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Campeonato

O derby com o Sporting, logo no arranque de Fevereiro, poderá ditar muito do que será o resto do campeonato do Benfica. E ganha especial importância tendo em conta as exigências que impõe o calendário para a segunda volta da competição, ou não estivessem os “encarnados” obrigados a jogar no reduto do principais rivais na prova: à deslocação a Alvalade somam-se visitas ao Estádio do Dragão e ao Municipal de Braga. 

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