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À procura de Leninegrado em São Petersburgo

©Igor Posner
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Igor Posner viveu toda a sua vida em Leninegrado (actual São Petersburgo), em plena vigência da União Soviética, até ao momento em que decidiu rumar aos Estados Unidos da América, em busca de um futuro melhor. Saiu da sua cidade-berço aos 21 anos, munido de um diploma em Biologia Celular e Molecular, "no meio de um grande turbilhão social, político e histórico", descreveu ao P3, em entrevista. Regressou em 2006, 14 anos depois, na esperança de encontrar Leninegrado. "É natural que os seres humanos queiram sentir alguma ligação com o chão que pisam", explicou. "Inadvertidamente, procurei pelas coisas de que me lembrava, vestígios daquilo que um dia me foi familiar." O presente ficou remetido para segundo plano, enquanto fotografava o projecto Past Perfect Continuous, disponível em fotolivro no site do artista russo. Isto porque o sentimento de regressar é algo complexo, adverte. "É impossível regressar e, ao mesmo tempo, é impossível não regressar enquanto se regressa." Deambular por São Petersburgo tornou-se um acto de rememorar para o fotógrafo da agência Prospekt (da qual o P3 já publicou Mads NissenRaffaele PetrallaScott TypaldosFrancesco Merlini). "Existe uma multiplicidade de constantes, de elementos, de eventos que tiveram lugar e não se repetem, mas que estão fixos na memória."

As fotografias de Posner, capturadas com recurso ao pequeno e médio formato analógico, reflectem o desejo de reencontrar "algo de familiar que nunca, jamais, poderá ser encontrado". Procurou em bares de classe operária, em blocos de apartamentos sociais, em ruas desertas, durante a noite. "Sempre foi difícil para mim definir aquilo que busco", referiu, sublinhando que tentou, talvez e apenas, traduzir em imagem sentimentos de melancolia, momentos de contemplação, incerteza e reflexão. Age com a intenção de dotar as imagens de ambiguidade, enigma, de lhes conferir "uma característica que faz com que se sobreponham à memória", para que funcionem "como uma semente na imaginação de quem olha". Sente que muitas das pessoas que retratou estão a atravessar dificuldades. "O mundo que conheciam está morto; hoje são forçadas a viver dentro dele, sem convicção, até que o exterior acerte o passo com o interior."

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