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Tomada de posse de Bolsonaro: 500 mil pessoas, segurança reforçada e boicote do PT

Jair Bolsonaro toma posse como Presidente do Brasil a 1 de Janeiro. Por razões de segruança, não está decidido se desfila em Brasília num carro aberto.

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LUSA/JOEDSON ALVES

A cerimónia de posse de Jair Bolsonaro, que se torna na terça-feira o 38.º Presidente do Brasil, deverá reunir meio milhão de pessoas em Brasília e terá um forte esquema de segurança, segundo o Gabinete de Segurança Institucional.

De acordo com o gabinete, ligado à defesa da Presidência do Brasil, cerca de 500 mil pessoas devem participar nos programas de posse de Bolsonaro, que ocorrem na Esplanada dos Ministérios, zona central da capital do país.

Ainda não há uma decisão sobre se Bolsonaro desfilará da granja do Torto, uma das residências oficiais da Presidência da República do Brasil, num carro aberto ou fechado.

Nas cerimónias de posse é normalmente usado um Rolls-Royce que serve a Presidência da República desde 1952, em que o chefe de Estado fica exposto e acena para o público.

No entanto, a preocupação com a segurança é maior este ano porque Bolsonaro sofreu um atentado em Julho de 2018 quando ainda disputava as presidenciais e o uso do carro não foi confirmado.

Os organizadores das cerimónias anunciaram que farão também uma revista com detector de metais e divulgaram uma lista de proibições para o público.

Aqueles que pretendem acompanhar o cortejo de Bolsonaro não poderão ter mochilas, bolsas, carrinhos de bebé ou guarda-chuvas, bebidas alcoólicas, garrafas, fogo-de-artifício, apontadores de laser, animais, máscaras, produtos inflamáveis, armas de fogo, objectos cortantes e drones. Estas restrições aplicam-se numa extensa área de segurança.

Um dia com várias cerimónias 

A tomada de posse tem várias cerimónias. A primeira é na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, em Brasília, onde costuma ser dada uma missa mas que este ano não acontecerá. Ali haverá apenas um encontro entre Bolsonaro e o vice-presidente, Hamilton Mourão, marcada para as 14h30 (16h30 em Lisboa).

Em seguida, Jair Bolsonaro segue para o Congresso Nacional, onde será recebido pelos presidentes da Câmara dos Deputados (câmara baixa), Rodrigo Maia, e do Senado (câmara alta), Eunício Oliveira.

É no Congresso que Bolsonaro se torna Presidente do Brasil. Terá honras militares e o primeiro-secretário da Mesa do Congresso faz a leitura do termo de posse e o Presidente do Congresso, Eunício Oliveira, declara a posse.

Já como Presidente, Bolsonaro fará o primeiro discurso à nação perante os deputados. Em seguida, segue para o Palácio do Planalto, onde é recebido por seu antecessor, Michel Temer.

No alto da rampa do palácio, Temer entrega a faixa presidencial ao novo Presidente e Bolsonaro faz um segundo discurso à população.

Os membros do Governo são empossados no Palácio do Planalto.

O dia termina com um jantar no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, com uma recepção para as missões estrangeiras e as altas autoridades da República brasileira.

O Itamaraty estima que a recepção contará com a presença de 12 chefes de Estado, incluindo os presidentes Marcelo Rebelo de Sousa, de Portugal, Sebastian Piñera, do Chile, Iván Duque, da Colômbia e Mario Abdo, do Paraguai e ainda o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

A China confirmou a presença de Ji Bingxuan, vice-presidente do Comité Permanente do Congresso Nacional do Povo (o órgão legislativo) como enviado especial do Presidente Xi Jinping.

O Governo dos Estados Unidos será representado pelo secretário de Estado, Mike Pompeo.

Também confirmaram presença na cerimónia de posse de Bolsonaro o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, na qualidade de presidente em exercício da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), e o secretário executivo da organização, Francisco Ribeiro Telles, que inicia funções nesse dia.

PT boicota

O Partido dos Trabalhadores (PT), que governou Brasil entre 2003 e 2016, o Partido Socialismo e Liberdade e o Partido Comunista anunciaram que vão boicotar a tomada de posse.

O PT, que teve como primeiro candidato Lula da Silva - antigo Presidente brasileiro a cumprir uma pena de prisão - e depois Fernando Haddad, que pôs em causa o processo eleitoral depois de apurados os resultados, o Partido Socialismo e Liberdade e o Partido Comunista do Brasil têm 75 dos 513 deputados na Câmara Baixa.

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