Queda de helicóptero do INEM faz quatro mortos

Caiu na zona de Valongo. O aparelho transportava um médico, uma enfermeira e dois pilotos. É o primeiro acidente do género com uma aeronave dos serviços de emergência médica.

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As buscas foram dificultadas pelo mau tempo Paulo Pimenta
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Um helicóptero do INEM caiu no sábado à tarde na zona de Valongo, quando regressava de uma missão de transporte de uma doente grave de Bragança para o Porto. O acidente matou os quatro ocupantes: um médico, uma enfermeira e dois pilotos.

As buscas duraram várias horas e foram dificultadas pela chuva e pelo nevoeiro. Pelas 2h da manhã, a Protecção Civil anunciou ter encontrado os destroços do aparelho, bem como os corpos das quatro vítimas, na zona da Capela de Santa Justa, Valongo. Dois dos corpos estavam dentro da cabine e os outros dois, próximos dos destroços.

Não são conhecidas as causas do acidente, que é o primeiro do género com uma aeronave do INEM.

O helicóptero deixou de ser visto pelos radares por volta das 18h30. A Protecção Civil recebeu o primeiro alerta pelas 20h15.

"Queria deixar aqui bem presente que toda esta operação se desenvolveu depois de o alerta ter chegado à Autoridade Nacional de Protecção Civil", frisou o comandante da Protecção Civil Carlos Rodrigues Alves, na conferência de imprensa em que anunciou o desfecho da operação de busca. "Antes disso, há toda uma série de entidades – permitam-me que não fale nelas – que entram no processo de espoletar este tipo de operação."

O secretário de Estado da Protecção Civil também notou o hiato temporal entre a última comunicação emitida pelo helicóptero e o alerta que chegou à Protecção Civil. "A partir das 20h15, quando a Protecção Civil foi avisada, foram postos em marcha todos os meios. Até lá, haverá todo um conjunto de entidades que terão que averiguar o que se passou para apurar as responsabilidades, desde logo o facto de a aeronave não ter emitido um alerta. Portanto, haverá aí alguma falha que terá que ser avaliada, assim como todos os procedimentos associados terão de ser objecto das necessárias auditorias", afirmou José Artur Neves.

A equipa dos serviços de emergência médica tinha descolado às 15h13 da base em Macedo de Cavaleiros. Dirigiu-se ao Hospital Distrital de Bragança, para transportar uma mulher de 76 anos com problemas cardíacos graves, que tinha como destino o Hospital de Santo António, no Porto. A doente foi entregue aos médicos deste hospital por volta das 18h10. A equipa iniciou então a viagem de regresso.

“O piloto era um piloto experiente, o co-piloto era mais jovem, o colega médico tinha nacionalidade espanhola e fazia habitualmente serviços com o INEM, e a enfermeira era residente na zona do Porto”, disse à RTP o presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues.

Numa das duas conferências de imprensa que deu durante a noite, o comandante da Protecção Civil Rodrigues Alves explicou que, após o alerta, foram accionados “todos os mecanismos” para localizar o helicóptero, que regressava à base em Macedo de Cavaleiros, mas que antes ainda ia abastecer a Baltar, Paredes. Foram mobilizados mais de 100 operacionais e 35 veículos. 

Um helicóptero da Força Aérea também foi mobilizado para as buscas, mas o mau tempo acabou por fazer com que esta aeronave abandonasse as operações. Em declarações à agência Lusa, o tenente-coronel Manuel Costa, porta-voz da Força Aérea, referiu que o helicóptero, que saiu da base do Montijo pelas 21h45 de sábado, chegou a estar na zona da aldeia de Couce.

A aeronave do INEM é um modelo Augusta A109S, que estava a ser operado pela empresa Babcock, uma multinacional britânica que trabalha para os serviços de emergência médica desde 2000.

“Caberá às autoridades competentes desenvolver um inquérito para apurar com detalhe as causas do acidente, cujos contornos não são ainda neste momento conhecidos”, referiu o INEM, numa nota emitida na madrugada deste domingo.

Também o primeiro-ministro manifestou pesar pela morte da equipa de quatro pessoas. "Quero naturalmente apresentar às famílias e amigos as mais sentidas condolências e dirigir uma palavra de solidariedade para todos aqueles que trabalham no Instituto Nacional de Emergência Médica e que prestam um serviço inestimável aos portugueses", afirmou, em declarações à Lusa, em Abu Dabi.

António Costa disse ainda que no momento próprio serão apuradas "as causas deste acidente", frisando que é prematuro falar sobre os motivos que levaram à queda do helicóptero.

O serviço de helicópteros de emergência médica do INEM foi criado em 1997, tendo desde então realizado cerca de 16.370 transportes de doentes, sem qualquer acidente grave.