Fidelidade compra antiga Feira Popular de Lisboa por 238,5 milhões

Seguradora do grupo chinês Fosun arrematou ainda um terreno na Avenida Álvaro Pais por 35,4 milhões de euros. A Câmara de Lisboa recebe assim quase 274 milhões.

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daniel rocha

A venda dos terrenos da antiga Feira Popular de Lisboa, em Entrecampos, que já tinha sido adiada três vezes perante as dúvidas do Ministério Público, foi concluída esta quarta-feira de manhã. A Fidelidade licitou e arrematou os três lotes em que a Câmara Municipal de Lisboa dividiu esses terrenos e, pouco depois do fim da hasta, anunciou em comunicado que vai ali construir a sua sede.

A seguradora, cujo accionista maioritário é o grupo chinês Fosun, desembolsou 238,5 milhões pelo espaço da antiga feira e arrematou ainda um terreno na Avenida Álvaro País por 35,4 milhões de euros. A operação rendeu assim quase 274 milhões de euros à Câmara de Lisboa, 85 milhões acima do preço base estabelecido pela autarquia. 

Além da Fidelidade, outras duas empresas apresentaram propostas pelos terrenos (a Dragon Method e a MPEP), mas os representantes da seguradora superaram sempre as licitações das concorrentes, num leilão bastante disputado.

Esta vende insere-se na chamada “Operação Integrada de Entrecampos”, com o qual a câmara quer revolucionar a zona. Para o espaço da antiga Feira Popular está previsto um centro empresarial, espaços verdes e 279 fogos de habitação – que, ao contrário dos que serão construídos na Avenida das Forças Armadas, não se destinam ao Programa de Renda Acessível, e portanto poderão ser arrendados ou vendidos a preços de mercado. 

A venda foi adiada depois de, em Novembro, a procuradora do Ministério Público junto do Tribunal Central Administrativo Sul ter levantado dúvidas sobre a legalidade da operação. Voltou a ser adiada por duas outras vezes já em Dezembro, de modo a dar aos concorrentes a possibilidade de se inteirarem das dúvidas da procuradora e das respostas da autarquia.