Carlsen prolonga para sete anos o seu reinado mundial

O norueguês renovou o título mundial de lentas após ter derrotado Caruana, mas só no desempate... em partidas semi-rápidas.

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O embate entre Carlsen e Caruana Reuters/Paul Childs
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Carlsen chega à sala onde a final do título mundial se disputava LUSA/FACUNDO ARRIZABALAGA
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Carlsen com o troféu de campeão do mundo nas mãos LUSA/FACUNDO ARRIZABALAGA
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O embate entre Carlsen e Caruana LUSA/FACUNDO ARRIZABALAGA
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O embate entre Carlsen e Caruana LUSA/FACUNDO ARRIZABALAGA

O norueguês Magnus Carlsen revalidou o título mundial absoluto de xadrez ao vencer o norte-americano Fabiano Caruana, por 3-0, no desempate das partidas semi-rápidas, que se realizou nesta quarta-feira, em Londres. Foi a terceira vez que Carlsen defendeu com sucesso o título, que detém desde 2013 quando destronou o seu antecessor, o indiano Viswanathan Anand, adversário que voltaria a vencer no ano seguinte — em 2016 superou o russo Sergei Karjakin, também no desempate.

Num encontro previsto à melhor de 12 partidas em ritmo clássico, um novo recorde em campeonatos mundiais foi batido, quando nenhuma partida terminou decisivamente. Mas não porque a procura de desequilíbrios não tivesse ocorrido, nem por falta de combatividade. Aliás, o nível de complexidade de algumas das partidas foi de tal maneira elevado que os analistas achavam impossível que um erro importante não surgisse, como aconteceu, por exemplo, na 10.ª partida, quando nem os comentadores, apoiados pelos poderosos programas informáticos, conseguiam descortinar os caminhos mais adequados perante a confusão que grassava no tabuleiro.

Apenas por duas vezes a possibilidade de vitória se vislumbrou. Na primeira, quando Carlsen teve uma possibilidade de desferir um golpe fatal, e na sexta, quando Caruana não encontrou a continuação que lhe poderia ter dado a vitória.

Segundo o regulamento tinha de recorrer-se ao sistema de desempate com ritmos de reflexão mais reduzidos, mas aqui a superioridade teórica de Carlsen era flagrante, pois o norte-americano ao longo da sua carreira nunca conseguiu ter desempenhos, nas semi-rápidas ou nas partidas relâmpago, semelhantes aos obtidos no ritmo mais tradicional. Com apenas 25 minutos para toda a partida, com acréscimo de 10 segundos por cada movimento efectuado, começava-se a série de quatro partidas de desempate e logo na primeira a mestria de Carlsen permitiu-lhe concretizar a vantagem mínima com que esta se iniciara. A diferença de mais de 150 pontos no ranking nesta variante da modalidade, fazia-se sentir.

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Na segunda partida, Caruana jogou de brancas, mas cometeu uma série de imprecisões e foi varrido do tabuleiro em apenas 27 lances.

Caruana tinha que vencer as duas partidas restantes, para levar a luta para as partidas relâmpago. Mas a Carlsen bastava agora o empate e, jogando de brancas, aplicou nova derrota ao norte-americano, terminando a luta.

Como prémio de consolação, Caruana dividiu o prémio pecuniário de 1 milhão de dólares (cerca de 880 mil euros) na proporção de 55%-45% em vez dos 60%-40% que estava estabelecido caso a decisão tivesse ocorrido durante a fase clássica do confronto.

"Foi um jogo disputado até ao fim e quero dar os parabéns ao Magnus. Defrontei um dos melhores jogadores da história do xadrez e dei tudo o que tinha (...). Sinto que recolocámos este jogo no mapa na América e espero que sirva para inspirar uma nova geração de jogadores", declarou Caruana, que desperdiçou, assim, a hipótese de se tornar no primeiro americano desde Bobby Fischer a sagrar-se campeão mundial.