Universidade da Beira Interior vence Prémio Manuel António da Mota

Projecto premiado propõe-se desenvolver produtos para construção civil a partir de resíduos industriais.

Universidade da Beira Interior recebeu um prémio de 50 mil euros para desenvolver o projecto vencedor do prémio anunciado neste domingo
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Universidade da Beira Interior recebeu um prémio de 50 mil euros para desenvolver o projecto vencedor do prémio anunciado neste domingo ADRIANO MIRANDA

O Prémio Manuel António da Mota, no valor de 50 mil euros, foi entregue neste domingo ao projecto “eCO2blocks” da Universidade da Beira Interior, que se propõe desenvolver produtos para construção civil com resíduos industriais, reduzindo a utilização de recursos naturais.

Dirigido em particular às indústrias que produzem produtos pré-fabricados, a solução apresentada pela "eCO2blocks", um projecto desenvolvido por um consórcio criado pela Universidade da Beira Interior (UBI) e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), utiliza resíduos industriais ricos em cálcio e magnésio que endurecem com a absorção de dióxido de carbono, em condições de humidade, temperatura e pressão constantes.

Os produtos são depois obtidos por moldagem e compactação da mistura dos resíduos e água residual não potável, um processo de fabrico dez vezes mais rápido e 45% mais barato relativamente à opção tradicional com cimento.

Além disso, o processo de fabrico dos produtos não requer a utilização de água potável como na obtenção de produtos de construção equivalentes produzidos com cimento Portland.

Por cada tonelada de cimento Portland produzido é libertada para a atmosfera cerca de uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) e, por cada metro cúbico de betão, em média, são gastos cerca de 150 litros de água potável, além de grandes quantidades de recursos minerais, como, por exemplo, areias dos rios que ao serem removidas agravam a erosão costeira.

Segundo o presidente da Comissão Executiva da Fundação António da Mota, Rui Pedroto, a nona edição do Prémio Manuel António da Mota, sob o lema "Portugal Sustentável", procurou chamar a atenção para a importância do cumprimento dos objectivos de desenvolvimento sustentável na construção do futuro colectivo, tendo distinguido as instituições que se notabilizaram pelos projectos apresentados nestes domínios, em que se cruzam as questões económicas, sociais e ambientais.

A par da UBI, foram ainda distinguidas nove instituições nacionais, cabendo o segundo e terceiro lugares, respectivamente, à Associação BIPP - Inclusão para a Deficiência, com um prémio de 25 mil euros, e ao Grupo de Activistas em Tratamento (GAT), com um prémio de dez mil euros.

Foram também atribuídas sete menções honrosas, no valor de cinco mil euros cada, às instituições Aguiarfloresta (Associação Florestal e Ambiental de Vila Pouca de Aguiar); Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais; Associação Cuidadores - Melhorar a vida de quem cuida; Câmara Municipal de Esposende; Cooperativa Integral Minga; Coopérnico - Cooperativa de Desenvolvimento Sustentável e Os Pioneiros - Associação de Pais de Mourisca do Vouga.

A cerimónia, que decorreu no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, contou com a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O Prémio Manuel António da Mota foi criado em 2010 pela Fundação Manuel António da Mota com o objectivo de reconhecer anualmente organizações e personalidades que se destaquem nos vários domínios de actividade da Fundação.

A edição de 2017 foi dedicada ao combate à pobreza e exclusão social, com especial enfoque nas crianças, jovens e famílias.

Desde que foi criado, este prémio já distinguiu cerca de 90 entidades, num montante global de um milhão de euros.