França vai devolver obras de arte ao Benim

É a primeira operação de restituição de arte africana desenvolvida pelo governo Macron, após a elaboração de um relatório sobre condições de devolução de obras às antigas colónias francesas.

Arte do Benim no Museu de Quai Branly
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Arte do Benim no Museu de Quai Branly

O presidente francês Emmanuel Macron comunicou esta sexta-feira que a França irá devolver ao Benim 26 obras de arte que estão no Museu de Quai Branly, em Paris, e que foram solicitadas pelas autoridades daquele país africano. Esta é a primeira operação de restituição de arte africana desenvolvida por Macron depois de ter recebido um relatório sobre as condições de devolução de obras às antigas colónias francesas.

Durante a colonização do Benim, várias obras de arte foram levadas para França. Após sangrentos combates em 1892, o general Alfred-Amédée Dodds retirou as peças em questão do palácio real do antigo Reino do Daomé. Agora serão devolvidas e expostas como parte de um ambicioso projecto que as autoridades locais montaram para os museus do país. Além das obras, Macron afirmou que porá à disposição daquele país toda a experiência das equipas de conservação que trataram das obras até agora.

O presidente francês também propôs desenvolver no primeiro trimestre do ano que vem uma parceria entre Europa e África para elaborar uma nova lista de obras artísticas e desenvolver uma politica de troca de peças. Esta sexta-feira Macron recebeu as conclusões do relatório feito pelos professores Felwine Sarr, do Senegal, e Bénédicte Savoy, da França.

O estudo foi encomendado pelo presidente para concretizar o projecto de criar, dentro cinco anos, as condições adequadas para a restituição permanente ou temporária de todo o património africano que os museus franceses detêm. Neste momento estão a ser estudadas diferentes opções de restituição, exposição, troca, empréstimo, depósito e cooperação de obras, para que os museus franceses realizem levantamentos de todas as obras africanas que conservam.

A acção desenvolvida pelo governo francês tem vindo a lançar o debate noutros países que tiveram domínios coloniais, como é o caso de Portugal.