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Iraque: um combate de wrestling (no feminino) contra o conservadorismo

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O combate mais difícil que Alia Hussein já disputou não foi contra outras lutadoras de wrestling, mas sim contra o conservadorismo iraquiano. A estudante de 26 anos, residente em Diwaniya, que dista 180 quilómetros de Bagdad, foi, inicialmente, proibida de praticar a modalidade desportiva pela sua própria família, que a “humilhou” e “agrediu fisicamente” ao tentar demovê-la. “Desafiei-os a todos”, disse orgulhosamente a jovem atleta à agência Reuters. “Sinto que consigo expressar-me através deste desporto. Quero provar à sociedade que o wrestling não deve ser um desporto exclusivamente masculino e que as mulheres iraquianas podem ser wrestlers, lutar e vencer.” 

São 30 as mulheres que treinam três vezes por semana no ringue azul do clube al-Rafideen, aquele que foi o primeiro, na história do Iraque, a permitir inscrição de atletas femininas. Hoje existem 15 clubes e 70 atletas femininas da modalidade — uma realidade que poderá ter os dias contados. A Reuters refere que esta é a segunda vez que a Federação de Wrestling Iraquiana tenta formar equipas femininas da modalidade. A primeira iniciativa foi mal-sucedida e terminou em 2012, após uma queixa da comunidade local, que considerou que a prática da modalidade estaria em dissonância com a cultura e tradição iraquianas. Hoje, a federação está em risco de ser banida pelo órgão nacional que tutela o desporto no Iraque pela mesma razão. 

As equipas de wrestling feminino têm vindo a recolher os frutos do trabalho que têm desenvolvido. Sob a orientação de Nihaya Dhaher Hussein, a treinadora de 50 anos, Alia Hussein já conquistou vários títulos: uma medalha de prata num torneio no Líbano e uma de ouro num regional em Bagdad. “Depois da minha participação nos torneios, a minha família começou a encorajar-me, graças a Deus”, afirmou a atleta.

O recrutamento de mais atletas, porém, tem-se revelado desafiante. Nem mesmo a compensação financeira — que pode chegar aos 74 euros mensais — parece ser suficientemente apelativa. A treinadora confirma que existem obstáculos no caminho da normalização da prática do wrestling no feminino. “Uma mulher que combate é uma alienígena aos olhos da nossa sociedade conservadora e tribal”, afirma. “A ideia é difícil de aceitar. Foi muito difícil atrair as meninas e convencer as suas famílias.” Chegou mesmo a receber ameaças e a ser vítima de agressões por parte de familiares das atletas. “É muito difícil trazê-las aos treinos e depois devolvê-las às suas casas.”

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