Há dez matilhas potencialmente perigosas à solta em Matosinhos

Animais vão ter nova casa onde também viverão animais errantes do Porto. O novo espaço será composto por hospital veterinário, cemitério e hotel para cães e terá capacidade para 1004 animais.

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Nuno Alexandre Mendes

É um problema antigo, com mais de uma década, e que já deu origem à entrada de algumas queixas na câmara de Matosinhos. Em todo o concelho há 10 matilhas soltas na via pública que no conjunto são compostas por cerca de 80 a 90 cães. As queixas apresentadas reportam alguns casos de insegurança sentida por cidadãos perante a ameaça destes grupos de animais potencialmente perigosos.

A par desta realidade, a meio de Outubro, a autarquia levou a cabo a captura de uma das matilhas. Este resgate deu origem a alguma contestação por parte de alguns cidadãos, alguns pertencentes a grupos de defesa dos animais, que entenderam que a captura foi realizada recorrendo a métodos violentos. Resultado disso, juntaram-se junto aos paços do concelho para uma vigília de protesto.

A autarquia nega terem sido usados métodos violentos para o efeito e afirma já ter sanado esta quezília com todas as partes envolvidas. Adianta ainda já ter sido encontrada uma solução para albergar as restantes matilhas num ambiente próprio para animais “assilvestrados”.

O vereador do Ambiente de Matosinhos, Correia Pinto, anunciou numa das reuniões de executivo no mesmo mês que, em conjunto com a Sociedade Protectora dos Animais e com a câmara do Porto, será construído um novo espaço para albergar animais abandonados com capacidade para 1004 bichos, que contará com um hospital veterinário, cemitério e hotel para cães.

O autarca explica que a vigília foi organizada na sequência de uma captura que deu origem a alguma celeuma por falta de informação relativamente ao método usado para a sua realização. Tentados vários procedimentos, sem efeito, optou-se por uma técnica habitualmente usada para lobos. Diz o vereador que os animais não terão reagido bem, como não teriam reagido com outro método qualquer, tendo em conta que estavam a ser resgatados contra a sua vontade.

O resultado do resgate não terá deixado marcas nos animais, como afirma o vereador e confirma à Lusa o deputado municipal do PAN, Albano Pires (presente na vigília) após visita ao Centro de Recolha Animais de Matosinhos (CROAM).

“Não era o método que gostávamos de usar, mas tentamos outros que não resultaram. Não é fácil chegar perto de animais que estão assilvestrados, que têm uma estrutura organizativa, com um líder”, afirma Correia Pinto que explica como funciona este método de captura: “O animal ao pousar a pata na armadilha é preso por um laço que prende a pata, mas sem o magoar”.

No dia da vigília diz ter tido oportunidade para receber e dialogar com quem lá estava, a quem foi comunicado o destino da matilha capturada. Os cães que na altura da captura estavam em terrenos da APDL, em Santa Cruz do Bispo, foram levados para um terreno junto ao CROAM, que será alargado.

Actualmente, este centro de recolha com cerca de uma centena de animais alojados em boxes está lotado. Por estes animais estarem habituados a viver em matilha obrigam a um tratamento de outra natureza. A matilha não será separada e ocupará uma área ao ar livre.

Esta solução temporária terá outro desfecho. Ainda há mais nove matilhas para capturar e alguns animais desta primeira que ainda continuam à solta e podem representar perigo para os cidadãos. Após a entrada em vigor da lei de Setembro deste ano que proíbe o abate de animais nos canis já se tentavam encontrar outras soluções. Recorde-se que Matosinhos, ainda antes da legislação entrar em vigor, já proibia o abate de animais no concelho. Porém, não conseguia dar resposta a todos os animais por falta de espaço.

As restantes matilhas, que serão capturadas “progressivamente”, vão ser alojadas igualmente num local temporário para depois serem transferidos para um novo espaço que será construído em Santa Cruz do Bispo, junto ao actual CROAM e à associação MIDAS – Movimento Internacional em Defesa dos Animais.

“O espaço que vamos criar é um local essencialmente coberto, mas com uma área descoberta para que alguns possam andar ao ar livre. É aí que vão ficar as 10 matilhas, num terreno com cerca de 2500 metros quadrados”, afirma Correia Pinto.

O novo abrigo para 1004 animais, que tem a Sociedade Protectora de Animais na cabeça do projecto é fruto de uma parceria que incluiu as câmaras de Matosinhos e do Porto. A primeira participará com a cedência do terreno e a segunda contribuirá financeiramente. Afirma o autarca que este espaço que “não estará a funcionar antes do final do próximo ano” poderá futuramente servir mais concelhos vizinhos.

“Não faz sentido haver um equipamento destes em cada um dos concelhos da área metropolitana. O caminho mais eficaz é criar-se soluções conjuntas”, finaliza.  <_o3a_p>