House of Cards: O Presidente morreu, viva a Presidente

A sexta e derradeira temporada da série sobre os bastidores da política norte-americana, a primeira sem Kevin Spacey, estreia-se na madrugada desta sexta para sábado, no TVSéries.

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Robin Wright é a primeira presidente dos Estados Unidos em House of Cards DR

Claire Underwood é a primeira Presidente dos Estados Unidos. Desde que assumiu o cargo que o ódio a ela na internet subiu exponencialmente quando comparado com o seu antecessor, o agora defunto Francis Underwood, de quem ela é, aliás, viúva. Só por ser mulher. Há muita gente contra ela, até aqueles que parecem à partida ser seus cúmplices. Não é nada de novo: ela sempre lidou com pessoas a atacarem-na e sabe defender-se.

É assim, passados 100 dias desde que Claire Underwood se tornou Presidente, que se entra na sexta temporada de House of Cards, a última da série do Netflix e a primeira sem Kevin Spacey, despedido no meio de um escândalo de assédio e abuso sexual, no centro de tudo.

Agora, quem manda é Robin Wright, seja por ser actriz principal, produtora executiva ou realizadora – o nome de Spacey já nem aparece em lado nenhum, um apagamento que, ainda assim, é bem menos radical do que aquele que aconteceu em Todo o dinheiro do mundo, de Ridley Scott. No primeiro teaser da série, divulgado no final de Setembro, Claire Underwood já deixava bem claro: “O reinado do homem branco de meia idade acabou”. E parece ser essa a posição da série.

Esta versão feminista de House of Cards tem oito episódios, ao contrário dos 13 habituais. Ao contrário do que acontece noutros territórios, não chegará a Portugal via Netflix, mas sim através da TVSéries, ao ritmo de um episódio por semana e não com os oito episódios a serem disponibilizados de uma só assentada. O primeiro estreia-se na madrugada desta sexta para sábado, à meia-noite, com repetição no horário nobre do dia seguinte, às 22h.

Tudo mudou, mas a mecânica da série, adaptada para a política norte-americana por Beau Willimon a partir da minissérie britânica homónima de 1990, já de si baseada num livro de Michael Dobbs, continua a mesma: um olhar, cada vez menos plausível, sobre os bastidores sanguinários da política norte-americana, com o, ou, neste caso, a protagonista, a falar directamente para a câmara. É o que tinha sido estabelecido em 2013, quando a série começou com dois episódios realizados por David Fincher. No primeiro episódio desta temporada, para marcar a diferença, Claire avisa os espectadores para não acreditarem em nada do que o defunto marido disse nas épocas anteriores.

Para não ser só Robin Wright a carregar tudo aos ombros, juntam-se ao elenco duas caras conhecidas: Diane Lane e Greg Kinnear, no papel dos irmãos Shepherd, dois multimilionários com muita influência política (claramente inspirados nos irmãos Koch) que, supostamente, já teriam ligações antigas à família Underwood (apesar de nunca terem sido vistos ou mencionados anteriormente). Lane é uma adição particularmente proveitosa, especialmente na forma passivo-agressiva como, a julgar pelo primeiro episódio que foi mostrado aos jornalistas, lida com Claire.

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