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Tem truques para poupar? Perguntámos aos leitores e damos-lhe mais seis dicas

Como vão as suas finanças pessoais? Esta quarta-feira assinala-se o Dia Mundial da Poupança e o PÚBLICO reuniu algumas dicas — incluindo as de leitores — que lhe permitirão avaliar a sua situação financeira e poupar mais.

Criado há quase um século (1924), o Dia Mundial da Poupança tinha e ainda tem o propósito de levar as pessoas a pensar na importância da poupança para financiar projectos futuros, fazer face a imprevistos, ou acautelar uma reforma tranquila.

Nas últimas décadas, o acesso fácil ao crédito bancário veio desviar boa parte da poupança das famílias para o pagamento de empréstimos, muitos deles com juros muito elevados, e para aquisição de bens não duradouros. Isso reflecte-se na taxa de poupança, que está a descer há cinco anos, quase sem interrupções, tendo caído no segundo trimestre para 4,4%, quando já esteve, em plena crise financeira, em 9%, ainda abaixo da média da zona euro. A concessão de crédito, especialmente para bens de consumo, está em máximos de 2010. Se mais de 35% do rendimento mensal é desviado para pagar encargos de empréstimos, saiba que corre o risco de ter problemas no futuro (em caso de subida de taxas de juro, desemprego ou doença…). Se não tem uma poupança que lhe permita pagar todas as despesas durante pelo menos três meses, deve ficar em alerta. E para ficar um pouco mais tranquilo, pense numa poupança, mesmo que pequena, mas contínua, para o médio e longo prazo. 

Dicas para poupar

1. Um mealheiro (seja conta poupança ou um porquinho)

Uma das soluções mais simples para poupar (ainda que na prática possa não o ser) é mesmo comprometer-se, todos os meses, a colocar um determinado valor de parte, seja num mealheiro ou numa conta poupança, e não utilizá-lo a não ser que seja verdadeiramente necessário – e se isso não puser em causa a sua capacidade de pagar as contas do mês. Pode optar por seleccionar 10% do seu salário e amealhar a quantia logo no momento em que recebe o ordenado.

2. Comparar contas bancárias para fugir a custos

Mas antes de criar uma conta bancária ou mudar de banco, convém comparar os custos relativos aos serviços mais comuns associados às contas de pagamento (como os custos de manutenção de conta, o levantamento de numerário, a aquisição de cheques ou as transferências), que diferem de banco para banco. Para o ajudar, existe um comparador de comissões que mostra as diferenças entre os custos de 93 serviços. Está disponível no Portal do Cliente Bancário, é da responsabilidade do Banco de Portugal (BdP) e pode ser consultado aqui

3. Procurar actividades gratuitas

“Não há almoços grátis.” Ou haverá? De formações a exposições e concertos, passando por museus, as opções a custo zero existem para contrariar a velha expressão económica. Os cursos online gratuitos surgiram há mais de uma década e estão cada vez mais populares. Conhecidos como MOOC (Massive Open Online Courses), os cursos são oferecidos por instituições em todo o mundo, nas quais constam Harvard, MIT ou Princeton. Recentemente, 190 universidades anunciaram 600 novos MOOC. Pode saber mais sobre eles aqui. Aos domingos e feriados até às 14h, os museus geridos pela Direcção-Geral do Património Cultural têm entrada gratuita. Espreite a lista completa dos museus

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O Museu MAAT não está incluído na lista da Direcção-Geral do Património Cultura, mas é grátis no primeiro domingo de cada mês Nuno Ferreira Santos

4. Ter ou não ter automóvel?

A decisão de ter ou não carro depende obviamente da distância que percorre diariamente e das alternativas que tem ao seu dispôr, tendo sempre em conta o preço do carro, do combustível, do seguro, do selo, de portagens e da manutenção. Ainda que nos meios mais pequenos, a escassez de oferta dite a obrigatoriedade de ter carro, pode dividir as viagens com alguém. Em algumas cidades, além dos transportes públicos e de outros serviços de transportes de passageiros, começam a surgir alternativas não só de partilha de carro (como a BlaBlaCar ou grupos no Facebook de boleias), mas também serviços que lhe permitem alugar carros (como a emov e a DriveNow). Para distâncias mais curtas, pode também optar por ter uma bicicleta ou usar redes de partilha de bicicletas.

5. Comprar pela net

Livros, música, roupa, electrodomésticos, telemóveis, sapatos ou objectos de decoração. A lista de compras online é vasta. Alguns dos sites mais conhecidos são Amazon, eBay, Etsy, Asos e Aliexpress. Mas existem mais. Na Book Depository, por exemplo, pode encontrar livros em inglês com excelentes promoções. Nesta plataforma, os portes de envio são gratuitos para qualquer ponto do mundo, mas nem sempre funciona assim . E, por isso, em alguns casos pode não compensar a compra online. Esteja atento aos custos "escondidos" e não se esqueça deste cálculo antes de avançar para a compra. Além disso, as compras mais caras podem parar na alfândega e terá de pagar taxas – e esperar mais tempo pela entrega. Não compre sem consultar a autenticidade do site ou plataforma que está a utilizar e use pagamentos descartáveis como o MBWAY ou Paypal.

Também poderá optar pela internet nas compras mais tradicionais. Fazer as compras online em vez de ir directamente ao supermercado pode ajudá-lo a reduzir a factura final. Um dos truques é ordenar os produtos pelo preço. Além disso, é mais fácil ter acesso a todas as promoções disponíveis.

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Usar os comandos para desligar os aparelhos é uma ilusão. As televisões e os restantes equipamentos continuam a consumir energia a não ser que sejam desligados no botão ou na ficha Sebastião Almeida

6. Poupança energética

A poupança em termos energéticos começa por desligar sempre as luzes de divisões da casa que não estão a ser utilizadas, assim como desligar e tirar da ficha dispositivos que não estão a ser utilizados (sejam eles televisores ou descodificadores de canais de televisão). Depois vêm as lâmpadas economizadoras: ainda que sejam mais caras, duram mais tempo e consomem cinco vezes menos do que as incandescentes, alerta a Deco. É também importante olhar para as etiquetas energéticas dos electrodomésticos que tem em casa ou que está a pensar comprar. Um electrodoméstico de classe A, por exemplo, é mais eficiente e pode consumir menos 70% de electricidade do que um aparelho de classe D, uma diferença que se reflecte na conta que tem de pagar no final do mês.

Dicas dos leitores

O PÚBLICO pediu aos leitores que partilhassem no Facebook alguns dos seus segredos para poupar dinheiro. Aqui estão algumas das sugestões: 

Não gastar mais do que se tem

Como apontado pelas leitoras Rosa Evangelista e Luana Granada, uma boa dica para manter o saldo positivo é não gastar mais do que o dinheiro que se tem disponível na conta bancária, evitando recorrer a créditos ou acumular dívidas.  

Comprar livros em promoção ou requisitar

“Comprar livros na Feira do Livro ou em grande promoção”, sugere a leitora Ana Martins – as promoções e saldos aplicam-se também a outros produtos, como alimentação, vestuário, produtos de higiene ou de cosmética. Se gosta de ler, o PÚBLICO sugere uma alternativa: requisite livros. Há bibliotecas públicas por todo o país (muitas delas com inscrição gratuita) que permitem que leve mais do que um livro para casa, podendo renovar a requisição presencialmente, por email ou por telefone. Pode consultar algumas das bibliotecas aqui

Questionar o consumo supérfluo

As promoções devem ser aproveitadas se se tratar de um artigo que pretende mesmo comprar. Como refere a leitora Maria Isabel Palma Revez, convém “questionar o excesso de consumo”: “Preciso mesmo de comprar isto porque é barato?, primando por fazer escolhas conscientes entre o essencial e o supérfluo.” O mesmo refere a leitora Luana Granada: “Colocar-se estas duas questões antes de comprar o que quer que seja: ‘preciso mesmo disto?’ e, se sim, ‘não tenho nada que possa ter esta função?’. Só comprar se a resposta for não.”

Fazer uma lista de despesas todos os meses

A leitora Luana Granada sugere “anotar todas as despesas para se ter uma noção global de quanto se gasta em quê”. Fazer uma lista com todas as suas despesas do mês ajuda a perceber onde mais gasta o dinheiro (já que às vezes pode não se aperceber do resultado acumulado de pequenas despesas) e a “ter um bom auto-controlo”, como refere a leitora Dília Monteiro. Existem aplicações de telemóvel que o ajudam a contabilizar as despesas, agrupando-as por categorias.