Eventos extremos custaram, pelo menos, 1300 milhões de euros

Parte do diagnóstico é feito pela Agência Portuguesa do Ambiente tendo em conta os prejuízos de recentes eventos climáticos extremos. "Os custos da inacção face aos impactos das alterações climáticas no nosso país são muito elevados”, considera.

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Os dados da APA deixam de fora os custos com os grandes incêndios de 2017 RICARDO GRAÇA/LUSA

Os eventos climáticos recentes em Portugal, inseridos num quadro de alterações climáticas, tiveram um custo superior a 1300 milhões de euros. E o cálculo só pode pecar por defeito.

Parte do diagnóstico é feito pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), no arranque do Programa de Acção para a Adaptação às Alterações Climáticas, em consulta pública: “Os custos da inacção face aos impactos das alterações climáticas no nosso país são muito elevados”, lê-se no documento. As estimativas da APA apontam para um custo médio anual de 100 milhões de euros em incêndios rurais – onde não entram as situações trágicas do ano passado, com cerca de 500 milhões noticiados em associação aos fogos de Junho e 200 milhões apurados pelas seguradoras nos incêndios de Outubro. A estes juntam-se, ainda segundo a APA, as secas de 2005, com prejuízos de 290 milhões de euros, e de 2012, que teve custos estimados em mais de 200 milhões de euros.

Há ainda os custos dos temporais intensos. Entre eles a tempestade Hércules, de 2014, que, segundo estimativas preliminares da APA, provocou prejuízos superiores a 17 milhões de euros. E os temporais de Março deste ano na costa portuguesa, avaliados pela agência em cerca de 1,4 milhões de euros.

É certo que é uma imagem incompleta. Faltam os custos da seca mais recente, assim como aqueles que decorrem da redução e variabilidade das chuvas, do aumento da temperatura, do agravamento da frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos, como as ondas de calor, detalha a APA.

Também o último relatório da Agência Europeia de Ambiente sobre os impactos das alterações climáticas indicou que, para Portugal, as perdas económicas acumuladas no período de 1980-2013 resultantes de eventos climáticos extremos rondam os 6,7 mil milhões de euros.