Nos refeitórios das escolas de Lisboa já não entra mais plástico

O uso de plástico nas cantinas das escolas do pré-escolar e 1º ciclo foi banido em Lisboa. São menos 50 toneladas de plástico.

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Com a medida é possível reduzir a produção de plástico em 50 toneladas João Cordeiro

Apesar de o ano lectivo já levar duas semanas, esta sexta-feira foi um dia especial para os cerca de 200 alunos do ensino básico que estudam na escola Sampaio Garrido, em frente à Praça das Novas Nações, na freguesia de Arroios. O ambiente é marcado pela multiculturalidade e diversidade — estudam ali crianças de 17 nacionalidades diferentes — mas também pelo entusiasmo. É que o almoço contou com a presença de um convidado especial. Fernando Medina, presidente da câmara, inaugurou a escola que foi alvo de obras de remodelação durante os meses que precederam a abertura do ano lectivo, e juntou-se também a alunos e professores para provar a comida ali feita e que é servida aos alunos em pratos como os lá de casa.

A ementa do dia é variada: há frango guisado com esparguete, acompanhado por uma salada e sopa de legumes. Para finalizar, e porque a fruta faz sempre falta, há pêras para dar força para o resto das aulas do dia. E tudo isto servido em pratos e copos de vidro e talheres de inox. O plástico, afinal de contas, não entra mais aqui. Nem nas restantes 91 escolas dos ensinos pré-escolares e básicos da autarquia.

Esta foi uma das 23 escolas que receberam obras durante o Verão para que no início do ano lectivo estivessem em condições de confeccionar a própria comida e eliminar a utilização de plásticos — uma medida que surge em conformidade com as políticas ambientais adoptadas por diversas capitais europeias. Actualmente, só 12 escolas básicas e pré-escolares de um universo de 92 na cidade é que não cozinham a comida nas suas instalações. Apesar de essas situações ainda existirem, a confecção dos pratos é assegurada por escolas vizinhas ou infra-estruturas próximas. E sempre feitos na hora.

“Uma alimentação com as calorias certas e confeccionada em proximidade é essencial para o bem-estar das crianças”, disse Fernando Medina. O presidente da câmara considera que, para crianças de meios menos favorecidos, a importância das refeições nas escolas é crucial. “É muitas vezes aqui que têm a alimentação que necessitam para o seu dia”, acrescentou. O presidente da câmara falou da medida de abolir o plástico das escolas como sendo um passo que “há muito tempo queria dar”.

Apesar de este ano lectivo assinalar a primeira vez em que todas as escolas arrancaram sem comida pré-confeccionada e sem uso de plásticos na alimentação, o autarca sublinha que esta medida se traduz também numa grande poupança no ponto de vista da utilização do plástico: Com este passo, vão produzir-se “cerca de 50 toneladas de plástico a menos na cidade de Lisboa”, garantiu.

O presidente da câmara afirmou que ficou contente com as repercussões das medidas tomadas e por assistir à receptividade com que as crianças abraçaram estas mudanças. A prova disso está nos testemunhos de Alexandra, Luísa, Maria e Laura — todas alunas do quarto ano. Antes da entrada destas medidas em vigor, sentiam que a comida “era má”.

“A comida agora não é salgada e parece-se com a que a minha mãe faz em casa”, disse uma delas. “Comemos de forma mais saudável e gostamos de não ter de usar pratos e talheres de plástico. Às vezes partiam-se. Assim parece que estamos a comer comida de nossa casa”, contou outra das meninas.

Renovação das escolas

Fernando Medina aproveitou ainda a ocasião para falar das medidas que o seu executivo tem vindo a tomar para renovar o parque escolar do concelho.

As obras levadas a cabo nesta escola com oito salas de aulas e várias outras infra-estruturas enquadram-se nestes investimento. O autarca fez questão de frisar que 50% do parque escolar irá receber obras com vista à sua modernização. Esta é uma meta que pretende alcançar até 2021 e se insere no programa “Escola Nova”.

O presidente da câmara da capital afirmou ainda que quer “pegar nas escolas do segundo e terceiro ciclos “e lançar “um programa de intervenção massivo” para remodelar essas infra-estruturas de ensino.

Passes para todos

Houve ainda espaço para falar da situação dos passes e manuais escolares para os alunos. Fernando Medina considera que esse é um dos pontos em que o estado central não está a conseguir dar resposta e que se trata de “necessidades que em muito condicionam a vida de alguns agregados familiares”.

A gratuitidade dos passes é já uma medida que abrange os alunos do 1º ciclo das escolas públicas de Lisboa. O cartão funciona como um dois-em-um, servindo como cartão de transporte e documento da escola para crianças até aos 12 anos. São 14.200 os alunos que já receberam o cartão.

Para os alunos até ao 12º das escolas públicas de Lisboa, os manuais também são, a partir deste ano, gratuitos.

O Bloco de Esquerda quer, contudo, que esta medida se alastre a todo o país.

Texto editado por Ana Fernandes