Opinião

Cartas ao director

Direitos humanos

Gostei de ler o bom e oportuno artigo do meu colega de Coimbra, prof. Doutor Vital Moreira, na vossa edição de 7/9, sob o título “Um feito histórico”: a internacionalização da protecção jurídica dos Direitos Humanos (ONU, 1948, e demais textos, nomeadamente europeus). Há, contudo, uma dupla omissão nesse escrito, decerto involuntário: faltou referir que em 1976, na versão originária da nossa Constituição, foi aprovado um n.º 2 do artigo 16.º (que ainda hoje se mantém), segundo o qual “Os preceitos constitucionais e legais relativos aos direitos fundamentais devem ser interpretados e integrados de harmonia com a Declaração Universal dos Direitos do Homem”; e também não se disse que este preceito foi proposto por mim, enquanto deputado e presidente do CDS, tendo sido aprovado por unanimidade. Fica feita, deste modo, a rectificação que se impunha. 

Diogo Freitas do Amaral, Cascais

Religião ou ideologia?

Há fanáticos, terroristas, extremistas, tarados... que matam em nome do seu deus (“Alá é grande”, por exemplo). Como se fosse possível um deus odiar ou mandar matar alguém! Se esse deus fosse “um deus maior”, seria o criador de todos e de tudo e, portanto, amaria a todos. Nenhum criador pode odiar e/ou mandar destruir a sua criação (compreende-se que os muçulmanos não possam discutir nem estudar/investigar as suas raízes - descobririam a incoerência)! O que mais me intriga é a Arábia Saudita, sede dos sunitas e fonte de grupos terroristas, não condenar (pelo contrário, apoia) esse ódio exterminador e, ainda assim, ser bem aceite pelos governantes dos povos vítimas desses crimes!

Cândido Morais, Braga

Corbyn

No passado dia 26 Agosto li no PÚBLICO um artigo, escrito por Miguel E. Cardoso sobre Jeremy Corbyn, com o qual não estou de acordo. Afirma ele que vê em Corbyn a repetição do que foi dito e feito nos anos 70, não trazendo portanto nada de novo para a cena politica. Indirectamente, somos convidados a não dar ouvidos àquele dirigente.

O facto de Corbyn estar onde está, é prova suficiente de que é um político aceite e desejado nos nossos dias. Os lugares que ocupa, quer no Partido Trabalhista, quer a nível nacional, foram conquistados através de debates serenos e do voto.

Agora e sempre, J. Corbyn tem defendido a justiça social e a paz. Contudo, como desde que é líder do Partido Trabalhista tem usado como bandeira a frase "For The Many Not The Few", tal facto leva "os donos disto tudo" e os que os ajudam consciente, ou inconscientemente, a tentarem destruir politicamente aquele dirigente. O que se compreende, claro.

Talvez consigam alcançar os seus objectivos. Tendo em conta o bem comum, faço votos para que tal não aconteça. Sugiro a Miguel E. Cardoso que se informe sobre o passado e o presente de Corbyn. Se o fizer, e se a sua intenção é informar, estou convencido que passará a colaborar com os "Many". Se tal acontecer, poderá começar dando um retoque na foto que nos ofereceu, relativamente a Corbyn. Está péssima.

Antonio Linhan, Londres