Cardeal de Leiria-Fátima critica "ataque ignóbil e organizado" contra o Papa

António Marto diz que o "ataque" dirigido ao Papa procura "pôr em causa a sua credibilidade e criar uma divisão na Igreja".

António Marto foi empossado cardeal pelo Papa Francisco a 28 de junho
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António Marto foi empossado cardeal pelo Papa Francisco a 28 de Junho Daniel Rocha

O cardeal de Leiria-Fátima, António Marto, pediu este domingo "profunda comunhão" com o Papa Francisco devido ao "ataque ignóbil e organizado" de que está a ser vítima, na sequência do escândalo dos abusos sexuais de menores perpetrados por prelados.

Na missa dominical no Recinto de Oração, em Fátima, António Marto afirmou que a Igreja está "a viver um momento muito doloroso por causa dos escândalos de abusos, em particular nos Estados Unidos e na Irlanda" e sublinhou que se assiste "a um ataque ignóbil e organizado contra o Santo Padre".

"Lembro aquela visão da Jacinta que contava à Lúcia que via o Santo Padre a ser agredido e a ser insultado. É isso que está a acontecer!", disse António Marto.

Segundo o cardeal de Leiria-Fátima, o ataque dirigido ao Papa procura "pôr em causa a sua credibilidade e criar uma divisão na Igreja". António Marto lembrou que a situação que atravessa a Igreja não é nova e está bem presente na Mensagem de Fátima.

"Queria recordar que Nossa Senhora aqui, em Fátima, há cem anos, veio pedir oração e penitência pelos pecados do mundo e da Igreja para que não se repitam mais estes escândalos e veio pedir também para que a Igreja permanecesse unida ao Santo Padre e não se deixasse dividir", declarou.

Afirmando que as preces "por intercessão de Nossa Senhora" visam proteger o Papa Francisco, "o seu ministério e a reforma da Igreja que ele está a realizar", o cardeal instou ao empenhamento de "todos na criação de uma cultura de protecção e prevenção dos menores, para que nunca mais se repitam estes escândalos na Igreja".

"Catástrofe" moral

Na quarta-feira, António Marto foi o primeiro bispo português a referir-se ao momento que a Igreja vive, numa entrevista ao jornal Observador.

O bispo considerou que a divulgação da carta do antigo embaixador do Vaticano nos Estados Unidos, que alega que o Papa sabia há cinco anos de acusações de abusos sexuais relativas a um cardeal norte-americano, faz parte de "uma campanha organizada pelos ultraconservadores para ferirem de morte" o líder da Igreja Católica.

O cardeal disse que os crimes de pedofilia, "uma catástrofe de ordem espiritual, moral e pastoral" praticados por padres católicos, que têm sido divulgados nos últimos anos, e que ganharam dimensão nas últimas semanas, deixaram os membros da Igreja Católica "profundamente chocados" e suscitaram um "sentimento de grande humilhação" na Igreja.

No sábado, o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, pediu "comunhão profunda e orante com o Santo Padre, que, com tanta coragem e lucidez, guia a Igreja neste momento de purificação espiritual e prática".

"Estamos com o Papa Francisco, como ele está com Cristo e o Evangelho", escreveu Manuel Clemente, na habitual carta aos diocesanos de Lisboa, por ocasião do ano pastoral de 2018-2019.

Campanha "orquestrada"

Na sexta-feira, o bispo de Aveiro, António Moiteiro, lamentou a "campanha que tem sido orquestrada contra o Papa", a propósito dos casos de abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica, segundo uma nota divulgada pela agência Ecclesia.

Segundo um comunicado enviado por António Moiteiro à Ecclesia, o bispo de Aveiro e actual presidente da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé, lembra "o esforço que o Papa Francisco tem vindo a fazer para tornar a Igreja mais evangélica, em diálogo com o mundo actual e na resposta a problemas novos", pelo que, acrescenta, merece todo o apoio "como povo de Deus em terras de Aveiro".