Exibição de Federer ofusca Kyrgios

Angelique Kerber também foi eliminada do Open dos EUA. O espanhol Rafael Nadal superou o primeiro teste a sério.

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LUSA/JUSTIN LANE

Roger Federer realizou uma das melhores exibições para ultrapassar a terceira ronda do Open dos EUA e manter-se em rota de colisão com Novak Djokovic nuns quartos-de-final desejados desde a realização do sorteio. E o adversário não era de subestimar: Nick Kyrgios é um dos mais talentosos tenistas no circuito profissional e capaz de jogar um grande ténis, mas também de se esquecer do objectivo final, ou seja, ganhar.

“Frente ao Nick temos que ser o consistentes. Estive bem em forçá-lo a bater uma vez mais na bola”, admitiu o número dois do ranking, após vencer Kyrgios (30.º), por 6-4, 6-1 e 7-5. No final do encontro, Federer contabilizava 51 winners, apenas oito pontos cedidos no primeiro serviço e os quatro break-points (todos no sétimo jogo do set inicial) anulados.

O australiano não deixou de dar espectáculo e até chegou a murmurar entre pontos, que precisava de um árbitro para o treinar – em referência ao episódio da ronda anterior, em que Mohamed Lahyani desceu da cadeira para o incentivar a esforçar-se mais. “Não quero mudar como sou, mas podia aprender alguma coisa com o Roger, por exemplo, a forma como se comporta no court”, reconheceu Kyrgios.

Na véspera, Rafael Nadal passou com distinção o primeiro sério teste que enfrentou neste Open. Karen Khachanov (26.º), o terceiro melhor tenista em 2017 no ranking do ATP NextGen (sub 22 anos), igualou o líder do ranking em potência, intensidade e capacidade atlética. O russo, agora com 22 anos, chegou a servir a 7-5, 5-4, mas Nadal negou-lhe a vantagem de 2-0 em sets.

Khachanov, autor de 66 winners (incluindo 22 ases) revelou uma mentalidade forte para voltar a discutir o terceiro set. Nesse tie-break, Nadal desperdiçou três set-points, concluindo somente após um impressionante ponto em que os jogadores bateram 39 vezes na bola.

A resiliência do russo voltou a ser notada no quarto set, quando assinou um quinto break (este, em branco), quando o espanhol serviu para fechar, a 5-4. Mas ao fim de 4h22m — o mais longo encontro de Nadal no Open dos EUA —, o número um encerrou o encontro: 5-7, 7-5, 7-6 (9/7) e 7-6 (7/3).

O próximo adversário de Nadal é Nikoloz Basilashvili (37.º), o primeiro tenista da Geórgia a chegar aos "oitavos" de um Grand Slam desde 2006.

Também o vice-campeão de 2017, Kevin Anderson, teve de aplicar-se diante de outro jovem, Denis Shapovalov, de 19 anos. Shapovalov anulou quarto match-points a 3-5, mas o sul-africano manteve-se imperturbável e fechou com um jogo em branco, em 3h42m: 4-6, 6-3, 6-4, 4-6 e 6-4.

Milos Raonic (24.º) protagonizou uma exibição irrepreensível para vencer Stan Wawrinka (101.º), por 7-6 (8/6), 6-4 e 6-3. O suíço só dispôs de um break-point, não convertido, em todo o encontro, que poderia ter tido outro desfecho se Wawrinka tivesse aproveitado os dois set-points no tie-break. Raonic, autor de 14 ases, vai agora defrontar John Isner (11.º), que assinou 34 ases para ultrapassar Dusan Lajovic (62.º): 7-6 (10/8), 6-7 (6/8), 6-3 e 7-5.

No torneio feminino, continua a hecatombe de favoritas. Neste sábado, a número três do ranking e campeã em Wimbledon, Angelique Kerber, foi eliminada por Dominika Cibulkova, por 3-6, 6-3 e 6-3.

No aguardado duelo entre as irmãs Williams, Serena dominou Venus, em 1h12m: 6-1, 6-2 – o mais desequilibrado resultado entre ambas desde 2013.