Crónica de jogo

Até ao último segundo, como se fosse a final da Taça

FC Porto esteve a vencer o Belenenses SAD por 0-2, permitiu o empate, e já no período de compensação fez o golo da vitória, num penálti assinalado após intervenção do videoárbitro e convertido por Alex Telles.

Diogo Leite fez o primeiro golo do FC Porto
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Diogo Leite fez o primeiro golo do FC Porto LUSA/ANTONIO COTRIM

Qual é coisa, qual é ela, jogada no palco da final da Taça, num fim de tarde soalheiro como é costume na final da Taça, mas que não é a final da Taça? Pode ser uma partida do campeonato em que a SAD do Belenenses joga na condição de visitada. Na estreia do Jamor nesta edição da I Liga, o campeão FC Porto enfrentou um teste difícil, mas que acabou por superar (2-3), já no período de compensação, com uma grande penalidade assinalada após consulta às imagens do videoárbitro.

Numa partida com emoção digna de uma final da Taça, o VAR teve bastante protagonismo, contribuindo para Carlos Xistra assinalar dois penáltis: um primeiro a beneficiar a equipa de Silas, que aproveitou para iniciar a recuperação de 0-2 para 2-2, e um segundo nos derradeiros instantes do encontro, com o qual o FC Porto fechou o marcador em 2-3. A margem mínima reflecte as dificuldades sentidas pelos “dragões” e a boa réplica dada pelos “azuis” anteriormente conhecidos como “do Restelo”.

Foi uma ocasião de regressos: quase 15 anos depois, o campeonato voltava ao Jamor (a última partida tinha sido um Benfica-Gil Vicente, em 2003), lembrava o portal zerozero.pt. O FC Porto não visitava o Jamor desde 2016, numa final da Taça de Portugal perdida para o Sp. Braga. Para o Belenenses a ausência prolongava-se desde 2007, quando foi derrotado na final pelo Sporting.

Sérgio Conceição não mexeu um milímetro no “onze”, repetindo a equipa que tinha alinhado de início na 1.ª jornada e goleado o Desp. Chaves (5-0), mas desta vez os “dragões” não tiveram tantas facilidades. O FC Porto demorou a sentir-se confortável na partida, muito por causa da postura da equipa de Silas. Competente a reduzir os espaços na zona defensiva e inteligente a sair com bola, ultrapassando a pressão exercida pelo adversário, a SAD do Belenenses deixava os “dragões” em sentido.

Porém, faltou eficácia para aproveitar as oportunidades, com Keita a disparar por cima (10’) e depois a não conseguir aproveitar um atraso de Felipe para Casillas que ficou demasiado curto (21’). E, quando o FC Porto chegou com perigo à área contrária, o marcador funcionou. Pouco depois de André Pereira acertar na trave da baliza de Muriel, foi Diogo Leite a fazer o 0-1. O jovem central antecipou-se a Sasso e cabeceou para o golo após livre de Alex Telles.

A vantagem portista aumentou quando ainda não tinha decorrido meio minuto da segunda parte: num erro clamoroso, Dálcio Gomes entregou a bola numa bandeja a Otávio. O brasileiro contornou o guarda-redes e atirou para o 0-2.

Mesmo a perder por dois, o Belenenses SAD não alterou uma vírgula ao guião – e acabaria por colher frutos disso. Um remate de Dálcio que tocou no braço de Diogo Leite acabaria por dar penálti, após indicação do videoárbitro a Carlos Xistra, e Fredy, cara a cara com Casillas, não desperdiçou. Logo a seguir esteve à vista o segundo golo, perante a passividade da defesa do FC Porto: um lançamento longo de Muriel encontrou Fredy, que tocou para Licá, cujo remate foi travado pelo guarda-redes.

O jogo estava longe de estar controlado, com a bola a rondar ambas as balizas. Muriel negou o golo a Brahimi (63’) e Casillas fez o mesmo a Keita (que partiu ligeiramente adiantado, embora nada tenha sido assinalado, aos 77’). Quando voltou a ter oportunidade, o avançado do Belenenses SAD não errou: Fredy cruzou na direita e Keita empurrou de cabeça, ao segundo poste (2-2).

Os campeões nacionais corriam o risco de perder pontos logo à segunda jornada, mas conseguiram evitá-lo já no período de compensação. Um remate de Herrera tocou no braço de Henrique Almeida e Carlos Xistra, após mais uma consulta às imagens do videoárbitro, assinalou grande penalidade. Frente a Muriel, Alex Telles não desperdiçou. O FC Porto fez a festa no Jamor, mas não ergueu a Taça.