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Arquitectura: uma viagem no tempo até à Polónia comunista

©Karol Palka
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“No meu país, algumas pessoas consideram a arquitectura do realismo socialista muito bonita; outras consideram-na um símbolo do domínio soviético na Polónia e acreditam que deveria ser demolida. Talvez acreditem que demolindo os símbolos do comunismo possam apagar a memória desse período e criar uma nova imagem da Polónia. Mas a memória não funciona assim.” A série fotográfica Edifice do polaco Karol Pałka transporta-nos para uma era que a maior parte dos polacos gostaria de esquecer”, escreveu o autor, em entrevista por email ao P3, referindo-se ao regime comunista que vigorou na Polónia entre 1944 e 1989. “Desenvolvi Edifice porque quero contar uma história sobre poder e sobre a sua impermanência”, explicou.

Karol fotografou alguns dos edifícios que sobreviveram à queda do regime até aos dias de hoje como, por exemplo, o interior do Hotel Polana, uma estância de férias que era propriedade do Partido Comunista da Checoslováquia, e o edifício Nowa Huta Steelworks, “um excelente exemplar da estética do realismo socialista”, que foi visitado por Fidel Castro e Nikita Khrushchev, ex-primeiro-ministro da União Soviética. “Os edifícios representam abrigo, segurança, paz e, ao mesmo tempo, também conferem uma sensação de força e poder [a quem neles se instala]. No entanto, esta última característica é apenas uma ilusão; o poder não permanece sempre na mão de quem o exerce. É possível tê-lo, mas apenas por um momento. A ameaça da sua extinção é permanente, está mesmo ao virar da esquina, atrás daquelas paredes de betão frias e espessas que protegem as ideias grandiosas ou de grandeza.”

Edifice não é, por isso, um projecto de fotografia de arquitectura meramente estético; tem como objectivo encher cada imagem de História. “Este tipo de arquitectura merece ser recordado, apesar de ser fruto de uma era que se caracterizou pelo domínio de um só partido de todo o espectro social e político do país. O poder comunista construiu hotéis e resorts, nos anos 70, para materializar uma utopia que nunca chegou a germinar. Este tipo de arquitectura acabou por transformar-se apenas numa ferramenta de vigilância do Estado.”

Karol Pałka nasceu na Polónia em 1991, dois anos após a queda do regime comunista. O seu trabalho já foi premiado pela LensCulture, International Photography Awards (IPA), Prix de La Photographie e publicado nas revistas iGNANT, GUP e The Calvert Journal.

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