Crónica de jogo

Benfica transforma possível goleada em vitória tangencial

"Encarnados" estiveram a vencer o V. Guimarães por 3-0 e acabaram a sofrer no arranque da Liga 2018-19.

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LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

Começou com golos, combinações ofensivas interessantes, uma grande penalidade desperdiçada e uma catadupa de lances de perigo a Liga 2018-19. E começou com uma vitória tangencial do Benfica sobre o V. Guimarães, com a marca de água de Pizzi e uma resposta autoritária dos minhotos nos últimos 15 minutos que foi suficiente para fazer tremer os alicerces da Luz (3-2). Se este jogo for uma amostra do que podemos esperar do campeonato, não estaremos nada mal servidos.

Quando o árbitro João Pinheiro apitou para o fim da partida, Pizzi pediu a bola como souvenir. Afinal de contas, não é todos os dias que um médio — que não tem uma relação muito fértil com as balizas — faz um hat-trick e a prova disso mesmo é que o internacional português nunca o tinha conseguido desde que chegou a Lisboa, em 2014. Mas a memória que guardará do encontro inaugural do campeonato ficará para sempre turvada pelo derradeiro quarto de hora.

Replicando o “onze” e o 4x3x3 do embate com o Fenerbahçe, o Benfica entrou pressionante, relativamente agressivo, a variar o centro do jogo com rapidez e ianugurou o marcador logo aos 10’, fruto de uma recuperação e arrancada pela direita de Gedson e de uma finalização de Pizzi na área, após um ressalto.

Aproveitando a onda (e as evidentes dificuldades defensivas de Ola John no corredor), Salvio cavalgou logo depois para uma grande penalidade que poderia ter servido para insuflar a confiança de Ferreyra. O avançado argentino, porém, mostrou dificuldades em libertar-se da sombra de Jonas, muito por mérito da estirada ágil de Douglas.

No seu 4x3x3 inicial, o Vitória não abdicava, porém, de procurar pressionar a primeira fase de construção do adversário e foi assim que gerou uma dupla ocasião, com uma perda de bola de Fejsa que foi inicialmente travada pelas luvas de Vlachodimos e depois pelo poste, após remate de Tyler Boyd.

Percebia-se que se o Vitória se encolhia por vezes, não era por vontade própria. Era porque que o Benfica, forte na reacção à perda e com Gedson muito intenso no transporte de bola e a ultrapassar linhas, ia decalcando o lance do primeiro golo, para chegar mesmo ao segundo. Combinação Salvio, André Almeida, Pizzi e 2-0 num lance inventado pelo argentino.

Wakaso, com muito espaço para cobrir porque André André e João Carlos Teixeira tentavam condicionar mais à frente, não chegava para as encomendas no meio-campo defensivo e o talento de Grimaldo e companhia fizeram o resto no 3-0. O espanhol encontrou o timing certo para soltar do lado esquerdo, Ferreyra fez o túnel e Pizzi, com índices de eficácia invulgares na finalização, conseguiu mesmo o hat-trick.

Luís Castro emendou a mão ao intervalo. Trocou Ola John por Davidson e optou por um duplo pivot no meio-campo, com a entrada de Celis aos 63’, avançando para um 4x2x3x1. Uma fórmula que teve o condão de complicar a construção do Benfica pelo corredor central e que permitiu a André André aproximar-se do último terço.

Com o triunfo encaminhado, e com a segunda mão da 3.ª pré-eliminatória da Champions na terça-feira, Rui Vitória deu algum descanso a Cervi e a Fejsa. Alfa Semedo, uma das boas surpresas da pré-época, saiu na pressão sobre a bola aos 76’ e deixou as costas descobertas para o 3-1. Cortesia de André André, que foi tão espontâneo no remate como astuto cinco minutos depois, na assistência primorosa que permitiu o segundo golo ao Vitória, ao deixar Celis isolado.

A margem de risco do Benfica reduziu-se, então, à expressão mínima (nem nas transições acelerou) e a dos minhotos disparou. Assim como terão disparado os batimentos cardíacos dos mais de 55.000 espectadores que marcaram presença na Luz e que esperarão um último quarto de hora diferente em Istambul, no embate com o Fenerbahçe.