Opinião

Tancos ainda “vive”

Tudo não passou de uma farsa, para acentuar e dramatizar ainda mais os ataques ao Governo, devido aos trágicos incêndios do Verão passado.

Começo por uma pequena declaração: tudo o que escrevi e continuo a afirmar é apenas fruto da minha interpretação aos factos ocorridos à volta do chamado “assalto” aos paióis do Exército em Tancos.

Naturalmente, não tenho como provar a minha teoria – que expressei publicamente, desde o início – mas, enquanto não me demonstrarem o contrário, o que ainda ninguém conseguiu fazer, é minha forte convicção que tudo não passou de uma farsa, para acentuar e dramatizar ainda mais os ataques ao Governo, devido aos trágicos incêndios do Verão passado. No “cozinhado” terá havido factos concretos, nomeadamente material em falta nos paióis, que bem aproveitados ajudaram a montar um cenário credível, mas, em meu entender, tudo não passou de uma enorme FARSA!

Que, lamentavelmente, continua, com todos os ingredientes.

Compreendo como é difícil aceitar que se caiu num enorme logro, numa encenação político-criminal, que se assumiram atitudes “firmes”, onde nomeadamente se denunciava a enorme gravidade do “assalto” e se exigiam medidas drásticas para que situações semelhantes não voltassem a acontecer.

É compreensível que, quem assim procedeu – do cimo da sua posição altamente responsável – tenha dificuldade em deixar cair tudo no esquecimento. Isto os não responsáveis pelas áreas afectadas, pois o seu papel é gritar contra o descalabro do Exército, das Forças Armadas, do Governo, da “Geringonça”!

Quanto aos responsáveis “indirectos”, mas que também se deixaram envolver na farsa – não souberam atempadamente ler os sinais que denunciavam a existência de farsa e a ausência de assalto – , não têm qualquer dificuldade em colaborar para um esquecimento total (como gostariam que não mais se falasse no assunto), mas têm enorme dificuldade em explicar um assalto que se não verificou. Mas que eles, na altura dos acontecimentos, assumiram como real.

Os problemas que se levantam para um perfeito esclarecimento são tão complexos, é tão difícil provar o que de facto se terá passado, que o melhor, pensarão estes, é mesmo deixar “correr o marfim”, deixar cimentar a ideia da incapacidade de averiguação das polícias para provar seja o que for e… deixar que seja mais um enigma insolúvel.

Pois se o material “roubado” até já apareceu (menos as munições ligeiras, que são apetecíveis e fáceis de fazer desaparecer e uns poucos explosivos que servem para manter o pânico no seio dos menos informados e atentos)! Neste âmbito, pelo clamor público, que alguns teimam em manter, os criminosos e os terroristas não teriam onde se abastecer de material explosivo se não tivesse acontecido Tancos…!

Nesta recuperação do fenómeno, assistimos a que, para além da manutenção de dados divulgados nas horas que se seguiram ao “assalto” – continuam a escrever como se tudo se tivesse passado como alguns então publicaram, sem nunca terem dito como haviam sabido dos pormenores do “assalto” (como é natural, era impossível denunciar os próprios “assaltantes”, pois só eles poderiam descrever o “assalto”). Como insistem em manter o facto de ter havido um rombo na rede de proteção dos paióis, como justificação da existência de assalto. Só que continuam a não explicar como é que os “assaltantes” passaram na outra rede de protecção, sem fazerem qualquer buraco na mesma…

Enfim, a farsa continua.

As notícias agora publicadas trazem-nos uma novidade, que não é tão nova, pois já era do conhecimento geral: as dissidências entre a Polícia Judiciária/Ministério Público e a Polícia Judiciária Militar.

Baseiam isso principalmente no facto de a PJM ter recebido uma informação telefónica sobre a localização do material “roubado” e só ter dado disso conhecimento à PJ depois da recolha do referido material.

O que, no entender dos “especialistas” que escrevem nos jornais, terá impedido a PJ de recolher indícios importantes para a investigação, cabendo aqui a insinuação de que a PJM quis defender os autores do “assalto” e da devolução do material roubado, porque eram militares.

Se fossem bons investigadores, esses escribas poderiam porventura ter descoberto que a razão principal desse atraso na informação poderá ter sido devido a dois pormenores: o primeiro, a não certeza de que o material, que porventura estaria no local indicado no telefonema anónimo, fosse efectivamente o material desaparecido dos paióis; o segundo, a possível suspeita de que se a PJ fosse devida e atempadamente informada, poderia acontecer – sabe-se lá porquê! – que ao chegar ao local a PJM já lá encontrasse os jornalistas que parecia saberem tanto dos pormenores do “assalto” como os próprios “assaltantes”…

Meus senhores (e minhas senhoras)

Sejamos honestos!

Não especulemos mais com acontecimentos que todos “vemos” terem sido inventados!

Deixem-se de “exigir esclarecimento total”!

Deixem-se de “ver” o assunto como uma grave questão de Estado, no âmbito da Segurança Nacional!

Deixem-se de admitir a hipótese da nomeação de uma Comissão Parlamentar de inquérito!

Querem mesmo resultados?

Comecem por impor as averiguações que levem à descoberta de quem montou a farsa:

E, aí, poderão ficar surpreendidos, ao constatar que quem o fez são alguns dos mesmos que agora mais gritam contra a falta de resultados nas investigações!

O ataque político ao Governo e à “Geringonça” é normal, admissível e legítimo.

Mas, não vale tudo, não pode valer tudo!

Sejamos honestos!