Batwoman pode tornar-se na primeira série de super-heróis com protagonista lésbica

Projecto para o canal CW, cujas principais séries são exibidas em Portugal, pode tornar personagem da DC Comics numa pioneira televisiva.

Batwoman, Batman, Batgirl, Arte, Artista
Foto
DC COMICS

O projecto de uma série centrada na personagem Batwoman pode torná-la na primeira série de super-heróis com uma protagonista homossexual. Personagem decana da DC Comics, a sua história está desde sempre ligada à orientação sexual – primeiro do próprio Batman, um dos heróis mais relevantes e rentáveis da mitologia americana aos quadradinhos, depois em nome próprio. A série está a ser proposta ao canal CW, onde já vivem Flash, Arrow ou Supergirl.

Na terça-feira foi conhecida a sinopse da série, centrada então em Kate Kane, uma heroína chegada à ficcional cidade de Gotham “armada com paixão pela justiça social”, mas também conhecida por “dizer o que pensa”, vivendo a sua vida normalmente. É uma jovem rapariga, corajosa, mas assombrada pelos “seus próprios fantasmas”. Quer ser “o símbolo de esperança de Gotham”, mas tal como o Batman, sob cuja alçada nasce, tem um lado lunar.

Acontece ser apaixonada por mulheres, mera alínea da sua vida que tende a saltar para as primeiras linhas da sua descrição porque esse traço continua a ser uma excepção no universo dos comics e dos multimilionários filmes que sobre eles se têm erguido – e porque a representação de pessoas de vários géneros, cores ou orientações sexuais continua a ser procurada por leitores e espectadores, por críticos e activistas.

Kathy Kane/Batwoman surge em 1956 como namorada de Batman, apresentada como paixão do caped crusader para afastar a recorrente ideia de que Batman e Robin eram referências gay. A personagem teve, como é apanágio do ciclo das super-vidas nos comics, várias histórias, mortes e ressurreições. Foi morta em 1979, reapareceu na série 52 da DC Comics, em 2006, e reemergiu em 2009. O plano de a tornar numa série de acção real é por agora isso mesmo, um plano, sendo que se a proposta e o episódio-piloto forem aprovados e filmados e depois desenvolvidos numa temporada, só deve chegar ao canal por subscrição CW em 2019. A série está nas mãos de Caroline Dries (Os Diários do Vampiro, Smallville) para escrita e produção executiva e do produtor Greg Berlanti (Flash, Arrow, Supergirl, Lendas do Futuro, Black Lightning, Riverdale).

A personagem vai poder ser vista pela primeira vez num episódio especial das séries DC no próximo Inverno. Também por isso, a imprensa especializada dá como muito provável que a série resulte pelo menos numa primeira temporada para um canal cujos títulos em Portugal estão sobretudo concentrados na RTP, mas que também tem Riverdale no Netflix. 

Se a Marvel é a mais rentável das propriedades da banda-desenhada (e dos super-heróis em particular) no actual mercado da cultura popular, tão dominado pelos super-heróis e pelos seus modelos de cruzamentos entre séries/filmes/universos, a agilidade criativa do seu modelo não é se traduz em ampla diversidade. Só ao 18.º filme da Marvel se fez Black Panther, com um elenco negro e uma equipa negra, e só para 2019 haverá Captain Marvel, o primeiro filme protagonizado por uma mulher no “universo cinemático da Marvel”. A bissexualidade de uma personagem secundária do mundo de Thor, Valkyrie, foi quase aflorada este ano no blockbuster Vingadores: Guerra do Infinito, mas a cena foi cortada, como recorda o Guardian. Ainda assim, contam-se no seu rol de personagens as relações amorosas com pessoas do mesmo sexo de Mystique, do Rawhide Kid ou de North Star.

Já na DC Comics, que desde a trilogia Batman de Christopher Nolan não tinha um verdadeiro sucesso crítico, fez-se Mulher-Maravilha já em 2017 e há várias personagens homossexuais e de diversas etnias nas suas séries, livros e filmes. Midnighter, Apollo, The Ray, Batwoman são alguns exemplos.