Novak Djokovic ganha Wimbledon pela quarta vez

O tenista sérvio regressou aos triunfos num torneio de Grand Slam.

Djokovic
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Djokovic Reuters/ANDREW COULDRIDGE

Há cerca de um mês, Novak Djokovic não conseguia esconder a sua desilusão pelo ténis exibido em Roland Garros. “Não sei se vou jogar na relva. Não sei o que vou fazer”, admitiu então, depois de ser eliminado nos quartos-de-final pelo modesto Marco Cecchinato. A opção foi enfrentar o desafio: competiu no torneio de Queen’s, onde chegou à final, e entrou em Wimbledon no 21.º lugar do ranking, disposto a jogar cada vez melhor, ronda a ronda. A confiança foi subindo e, após passar o exigente teste da meia-final, frente ao rival Rafael Nadal, Djokovic confirmou neste domingo no derradeiro encontro do torneio que está novamente no topo do ténis mundial, ao conquistar o 13.º troféu do Grand Slam, quarto em Wimbledon — só Roger Federer (8), Pete Sampras (7) e Bjorn Borg (5) venceram mais vezes na Era Open.

“Tive que acreditar no processo, tive que acreditar em mim mesmo. Devo um grande, grande obrigado à minha equipa”, afirmou Djokovic, logo após derrotar Kevin Anderson, por 6-2, 6-2 e 7-6 (7/3). Doze meses antes, tinha abandonado o quarto-de-final com Tomas Berdych, por causa de uma lesão no cotovelo que o afastaria até ao fim da época.

As dúvidas de Djokovic

“Durante o tempo que estive fora por lesão, houve momentos em que me questionei sobre se alguma vez iria voltar. Dúvidas, desapontamento, raiva, frustração. Foi uma fase de aprendizagem, que me ajudou como ser humano e não só como tenista”, explicou o sérvio, que quebrou igualmente o domínio de Federer e Nadal, campeões nos últimos seis majors.

Anderson chegou à final com 332 jogos disputados, um recorde num único torneio de singulares em Wimbledon. O actual oitavo do ranking ATP entrou nervoso, preso de movimentos e chegou a receber assistência ao braço direito. Perdeu o serviço por quatro vezes para ver Djokovic distanciar-se para 6-2, 4-1. Só ao fim de 70 minutos, quando o sérvio serviu a 5-2, é que Anderson dispôs do seu primeiro break-point.

Gradualmente, Anderson foi encontrando o melhor ritmo no serviço, a sua principal arma. Mais presente e positivo, o sul-africano chegou a 4-3 sem enfrentar break-points, o que disparou a sua confiança. Duas duplas-faltas de Djokovic no jogo seguinte ofereceram um break-point que decidiria a partida, anulado com alguma sorte. Houve ainda outra dupla-falta a dar esperanças a Anderson, mas este set-point foi bem salvo. A 5-6, Djokovic viu-se novamente em dificuldades, mas recuperou de 15-40. A solidez do sérvio foi mais forte; anulou os cinco set-points e dominou o tie-break.

“No terceiro set, ele foi melhor; tive alguma sorte por ter escapado”, reconheceu Djokovic, autor de somente 13 erros não forçados. “Sinto-me maravilhosamente porque é a primeira vez na minha vida que alguém grita ‘Papá! Papá!”, disse o campeão na entrega de prémios, presenciada pelo filho Stefan, que não pôde assistir à final por ainda não ter cinco anos, mas finalmente ao colo da mãe na cerimónia final. “Ter o meu filho aqui foi uma das minhas maiores motivações”, admitiria mais tarde.

Em jeito de confirmação deste regresso aos títulos do Grand Slam, dois anos desde o último (Roland Garros), Djokovic vai reaparecer no “top-10”, de onde tinha saído em Novembro passado. E não tem pontos a defender até final da época.

Anderson, o primeiro sul-africano a atingir a final de Wimbledon desde 1921 e o segundo do seu país a estar em mais que uma final do Grand Slam, vai subir ao quinto posto do ranking. “Certamente que não me sinto tão fresco como no início da semana, mas foi o preço para chegar até aqui. Senti-me nervoso no início, mas no terceiro set tive oportunidades; gostaria de ter levado o encontro para mais um set”, disse Anderson.