JSD quer explicações sobre critérios de correcção no exame nacional de Matemática

Mudança três dias depois da prova "prejudica os alunos que se limitaram a responder de acordo com as regras que o próprio enunciado do exame estabelecia", critica a JSD.

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Paulo Pimenta

A Juventude Social-Democrata (JSD) pediu nesta segunda-feira explicações ao Governo e ao Iave sobre uma "mudança de critérios de correcção" no exame nacional de Matemática, que considera "inaceitável" e que diz ter criado desigualdade entre os alunos.

Em comunicado e em perguntas entregues na Assembleia da República, a JSD alerta que no cabeçalho do exame de Matemática A, realizado em 25 de Junho por mais de 45 mil estudantes, foi dada uma indicação aos alunos para responderem apenas a um dos itens da prova, devido às diferenças entre os que aprenderam de acordo com o anterior e o novo programa curricular.

No entanto, numa nota enviada aos professores correctores três dias depois da realização da prova "o Instituto de Avaliação Educativa (Iave) deu instruções opostas, estipulando que se o aluno tiver acabado por responder aos dois itens e uma das respostas estiver correcta, esta deve ser considerada para efeitos de cotação". "Estas instruções dadas pelo Iave são contrárias àquelas que foram dadas no exame. A JSD estranha esta mudança de critérios que prejudica os alunos que se limitaram a responder de acordo com as regras que o próprio enunciado do exame estabelecia", critica a JSD.

A organização jovem do PSD aponta também a "alteração súbita da estrutura dos exames, sem aviso prévio aos estudantes" e alterações de cotações de perguntas.

"Perante estas modificações, os professores consideraram que os jovens estudantes foram 'autênticas cobaias'. Esta é uma situação de manifesta desigualdade criada entre alunos, optando o Iave por prejudicar curiosamente aqueles que se limitaram a cumprir as instruções", acusa a JSD, que classifica a situação de "inaceitável".

Estas críticas são repetidas nas perguntas entregues no Parlamento e dirigidas ao ministro da Educação e ao presidente do Iave, subscritas pela deputada e líder da JSD Margarida Balseiro Lopes e outros deputados da bancada do PSD.

"Quais foram as razões que levaram a que o Iave mudasse os critérios de correcção, contrariando as instruções dadas no exame e prejudicando os alunos que cumpriram as regras do enunciado?", questionam.

Já ao ministro Tiago Brandão Rodrigues, a JSD questiona se considera "aceitável esta mudança de critérios, contrariando as instruções dadas no exame e prejudicando os alunos que cumpriram as regras".