Patrões admitem salário mínimo acima dos 600 euros em 2019

António Saraiva diz que confederações patronais podem surpreender na discussão sobre o salário mínimo para o próximo ano.

Nariz, bochecha
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Ricardo Lopes

Não se quis comprometer com um valor, mas admitiu que possa ficar acima dos 600 euros que são a meta do Governo. António Saraiva, presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, afirmou numa entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1 que os patrões podem surpreender e aceitar que o salário mínima nacional suba no próximo ano para um valor acima dos 600 euros.

“Admito que possa haver uma surpresa e não ficarmos confinados a um valor de 600 euros”, disse António Saraiva na entrevista, garantindo que as confederações patronais vão “surpreender a sociedade portuguesa na próxima discussão de salário mínimo”.

“A maior parte das empresas que representamos paga muito acima de 600 euros. Se continuarmos neste desenvolvimento, nesta garantia de manutenção e nas alterações que desejamos produzir ao nível da melhoria dos factores de produção, então é possível que esse valor possa vir a ser melhorado”, acrescentou António Saraiva, para quem existe a percepção errada de que os patrões são contra o aumento do salário mínimo.

O presidente da CIP salientou a necessidade de “indexar os salários à produtividade e ao crescimento económico”. “Havendo essa indexação, os salários podem e devem subir. Que o salário mínimo é baixo - todos o reconhecemos; que deve ser melhorado - todos os desejamos. E, por isso, provavelmente as confederações patronais vão surpreender a sociedade portuguesa na próxima discussão" na concertação social.

No entanto, António Saraiva, não se quis comprometer com um valor específico, até porque as confederações ainda estão a “fazer o seu trabalho de casa”. A decisão só ocorrerá “no último trimestre do ano, altura em que se levará à concertação social essa discussão”.

O salário mínimo é actualmente de 580 euros, tendo o Governo definido como meta que suba para os 600 euros em 2019. Já a CGTP exige que o valor aumente para os 650 euros.