Fenprof quer saber se recuperação de dois anos é a “primeira parte do bolo total”

Federação Nacional de Professores pediu explicações ao Governo sobre o significado do que António Costa disse nesta terça-feira, no Parlamento, a propósito da recuperação do tempo de serviço prestado pelos professores durante o período de congelamento das carreiras.

Microfone, pêlos faciais
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Professores vão decidir nesta quarta-feira se farão greve aos exames nacionais daniel rocha

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) abriu a porta, nesta quarta-feira, à possibilidade de equacionar a proposta do Governo de recuperar dois anos, nove meses e 18 dias do tempo de serviço prestado durante o congelamento, desde que o executivo “assuma que esta é a primeira parte do bolo total” que será sempre a contabilização dos nove anos, quatro meses e dois dias que têm vindo a ser exigidos pelos professores.

“Se o Governo assumir que é a primeira parte do bolo total então poderá ser uma proposta negociável”, afirmou aos jornalistas o líder da Fenprof, Mário Nogueira, à saída de mais uma reunião no Ministério da Educação, acrescentando que colocou esta questão na ronda de negociações sobre o projecto de despacho de organização do próximo ano lectivo, não tendo contudo obtido respostas.

O pedido de esclarecimento apresentado pela Fenprof deriva de uma das intervenções do primeiro-ministro, António Costa, durante o debate quinzenal desta terça-feira no Parlamento, na qual revelou que a proposta apresentada pelo Governo para recuperar pouco mais de dois anos do tempo de serviço prestado pelos professores durante o período de congelamento significa “mais 170 milhões de euros só em 2019”.

Perante isto a Fenprof quer agora saber se o Governo está disposto a acondicionar a reposição salarial deste período por inteiro em 2019 e dividir o restante pelos cinco anos seguintes, já que o executivo tem apresentado 2023 como o ano limite do faseamento para pagar as progressões, o que já tinha sido aceite pelos sindicatos de professores.

Mas António Costa foi explícito ao insistir nesta terça-feira que "o Governo não pode acompanhar essa proposta dos sindicatos por uma razão simples: não temos mais 600 milhões para repor esta exigência salarial. Não temos!"

As duas federações sindicais de docentes e os oito sindicatos independentes, Fenprof e FNE, que as têm acompanhado reúnem-se esta tarde para decidirem se as greves às reuniões de avaliação, que terão início a 18 de Junho, se alargarão à vigilância dos exames nacionais, que arrancam também por essa altura, ao lançamento das pautas de avaliação e também se o início do próximo ano lectivo será marcado por nova paralisação. Esta agenda mantém-se inalterável, frisou Nogueira.