Os 20 anos do Lux-Frágil serão exposição em Setembro

A forma como o Lux-Frágil foi comunicando as suas actividades ao longo dos últimos 20 anos. Será esse o mote para uma exposição, a inaugurar a 11 de Setembro, no Celeiro do Hub Criativo do Beato, em Lisboa.

Nariz
Foto
Convites, flyers, cartazes, fotos, fardas, mobiliário: toda uma história, curadoria de Fernando Brízio

O ponto de partida será a forma como o Lux-Frágil foi comunicando as suas actividades ao longo dos últimos 20 anos. É esse o mote para uma exposição, a inaugurar a 11 de Setembro, no Celeiro do Hub Criativo do Beato, em Lisboa, uma coprodução entre o Lux-Frágil e a EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural) no âmbito das iniciativas culturais em Lisboa que têm vindo a assinalar os vinte anos da Expo’ 98. A curadoria será do designer Fernando Brizío.

Se existem espaços nocturnos que funcionam como incubadoras de ideias, reflectindo, e ao mesmo tempo, ajudando a transformar o seu tempo, o Lux-Frágil tem sido um deles. Entre as suas paredes, pessoas, conceitos, moda, arte, imagens ou música, têm dialogado, criando novas possibilidades, forçando novas dinâmicas, participando num fluxo cultural. É um pouco dessa história que irá estar reflectida na exposição agora anunciada que, segundo Pedro Fradique, programador do Lux-Frágil, “reunirá os mais diversos elementos e suportes, passando por convites, flyers, cartazes, fotos, desenhos, vídeos, fardas e peças de vestuário, mobiliário, esculturas, objectos, adereços, instalações vídeo, música ou textos, ou seja, será uma forma de organizar e revisitar o trabalho de designers, artistas e criadores que têm colaborado ao longo destes anos com o projecto.”

PÚBLICO -
Foto

Segundo Pedro Fradique a ideia de uma exposição terá começado a germinar na mente de Manuel Reis, o timoneiro do Lux-Frágil que morreu em Março deste ano, há algum tempo. “A morte do [designer gráfico] Ricardo Mealha em 2015 e um ano depois do [fotógrafo e realizador] Pedro Cláudio, que colaboraram deste o início com o Lux, intensificou esse desejo nele e foi a partir daí que começamos a remexer nos arquivos.” O ano passado Manuel Reis havia visto uma exposição (PIN – Vinte e Três: Joalharia contemporânea da Ibero-América), na Sociedade Nacional de Belas Artes, com design expositivo de Fernando Brízio. Foi aí que o convite foi endereçado para que o designer montasse e organizasse uma exposição, com produção de Carla Cardoso, “a partir do imenso material que tínhamos guardado em caixotes e mais caixotes, num armazém”, diz Fradique.

A celebração dos 20 anos do espaço (que tem acontecido ao longo dos últimos meses, com a realização de diversas festas, e que se irá prolongar pelos próximos) e a coincidência de se assinalarem também os 20 anos da realização da Expo’ 98, acabou por ser factor decisivo na escolha do Beato como o lugar para exposição. É que o Lux-Frágil abriu nos últimos dias da Expo’98, no Cais de Pedra, a Santa Apolónia, e havia esse desejo de regeneração territorial e urbanística entre esse dois polos. Esse efeito não se sentiu no imediato, mas parece estar a suceder agora, com a revitalização, a Oriente, das zonas de Marvila e do Beato.

Acabou por ser a EGEAC, através da sua presidente, Joana Gomes Cardoso, a possibilitar a realização da exposição num dos espaços do Hub Criativo do Beato, que conta globalmente com 35 mil quadrados, referentes à ala Sul da antiga manutenção militar. O espaço foi concessionado em 2016 pelo Exército à Câmara Municipal de Lisboa por um período de 50 anos e pretende vir a tornar-se numa das maiores incubadoras de empreendorismo e cultura na Europa.