Iluminação do Cabedelo vai permitir “prolongar o dia” e fazer surf nocturno

Medida faz parte de uma intervenção de 2,6 milhões de euros para reabilitar praia do Sul da Figueira da Foz

Surfistas vão poder frequentar a praia à noite em 2019
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Surfistas vão poder frequentar a praia à noite em 2019 Manuel Roberto

A possibilidade de fazer surf depois do pôr do sol é um sonho antigo dos praticantes da modalidade na Figueira da Foz que deverá tornar-se realidade no próximo ano. O sistema que permite a prática nocturna do desporto vai ajudar a atrair surfistas à praia do Cabedelo, logo a sul da foz do rio Mondego, mas não deve estar a funcionar antes do final de 2019.

A instalação de oito torres de iluminação ao longo do molhe da praia do Cabedelo faz parte de uma intervenção de 2,6 milhões de euros que a Câmara Municipal da Figueira da Foz vai levar a cabo naquela zona balnear, explicou o presidente da autarquia, João Ataíde. Na apresentação pública do projecto, que decorreu nesta sexta-feira, o director de obras municipais da câmara, António Albuquerque, mencionou aos jornalistas que a parte que diz respeito à instalação da iluminação representa um investimento de 50 mil euros para a autarquia.

Todavia, referiu também que há ainda aspectos do projecto a afinar, como a possibilidade de a iluminação ser feita através de LED e de ser instalada uma tecnologia de telegestão, que facilite o controlo da luz, à semelhança do que foi instalado na Praia da Claridade, a norte da Figueira da Foz.

A ideia de possibilitar a prática de surf noturna partiu de um movimento de defesa da praia, o SOS Cabedelo. O projecto inicial foi elaborado pelo arquitecto e membro do movimento Miguel Figueira, em 2010, mas teriam de passar mais sete anos até que fosse apresentado a concurso no Orçamento Participativo municipal.

Em 2017, a proposta para iluminar o Cabedelo foi encabeçada pelo escritor Gonçalo Cadilhe, mas acabou por não se conseguir destacar nas preferências dos eleitores. Ficou em segundo lugar, a três votos do projecto vencedor. No entanto, a autarquia comprometeu-se a prosseguir a dar seguimento à ideia.

Uma ideia que tem agora um horizonte de execução. João Ataíde “gostaria muito” que a obra estivesse concluída “no final de 2019”. A intervenção de 2,6 milhões – que deverá ser comparticipada a 85% por fundos comunitários – compreende igualmente novos acessos, ordenamento de estacionamento e a construção de uma praça central. Depois desta primeira fase terá lugar “a valorização da envolvente”, acrescenta o autarca.

Para Ataíde, o Cabedelo é “uma jóia do surf que tem de ser trabalhada, mas de forma a não estragar”. Foi neste sentido que a autarquia acolheu as sugestões do SOS Cabedelo, que contestava a intervenção tal como estava desenhada anteriormente no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU). O movimento contestava a construção de um muro de betão que dizia pôr em causa a qualidade das ondas.

O autarca refere que, com a alteração da localização da praça que o município vai ali construir, essa questão fica dissipada. O membro do SOS Cabedelo Eurico Gonçalves destaca que “o presidente foi sensível a essa questão” e “percebeu que o muro era um erro”. No entanto, o movimento aguarda ainda pelo desenho final do projecto.

Um dia mais longo

Presente na apresentação pública, o presidente da Associação Nacional de Surfistas, Francisco Rodrigues, lembrou aos jornalistas que há casos semelhantes de iluminação da praia em França e no Brasil. Mas destaca também a importância desta infraestrutura, que acabará por dar outras condições à prática do desporto na Figueira da Foz, “não só para a comunidade do surf local, mas nacional e internacional”.

Eurico Gonçalves, que também é surfista, conta que este projecto “já era um sonho” quando chegou à Figueira, há 35 anos. Se o surf noturno só é actualmente possível com marés de lua cheia, no Cabedelo vai haver condições para “prolongar o dia”. Assim, com uma “obra que se tornará icónica, com certeza que chamará mais gente para vir surfar aqui”, considera.

Ao mesmo tempo que era apresentada a proposta de iluminação na câmara da Figueira da Foz, decorria no Cabedelo a terceira etapa do campeonato nacional de surf. A partir do areal, o campeão nacional de 2009, João Guedes, afirmou que este projecto “vai potenciar” este desporto na Figueira, para além de “ficar nos ouvidos” de surfistas nacionais e internacionais. “Com ondas desta qualidade e onde se pode surfar à noite, qualquer pessoa vai ficar curiosa”, analisa.