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Filipa Mota expôs pela primeira vez em Madison Avenue em Outubro do ano passado. DR
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A cadeira de Filipa Mota esteve exposta em frente à prestigiada Gagosian Gallery DR
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A exposição dos alunos da School of Visual Arts surgiu no âmbito do evento One Of A Kind. DR
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A janela funcionou como as costas da cadeira, o chão da varanda de assento DR
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Em Abril, Filipa Mota voltou a expor na avenida nova-iorquina. DR
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Em 2017, a artista apresentou um vestido e uma mala produzidos com talheres DR
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No âmbito da iniciativa Chairs That Inspire, a artista concebeu uma cadeira com inspiração portuguesa. DR

Filipa Mota, a designer que levou Portugal para a Madison Avenue

Chama-se Filipa Mota, é de Leiria e em Abril apresentou as fachadas e janelas portuguesas às ruas de Nova Iorque. A estudante de design expôs na Madison Avenue pela segunda vez e sonha ter o próprio estúdio na cidade norte-americana

Aos 17 anos, Filipa Mota decidiu embarcar numa aventura pelos Estados Unidos. Quatro anos depois, a icónica Madison Avenue já foi palco de duas criações da artista portuguesa. A mais recente é uma cadeira que, à primeira vista, muitos confundiram com uma simples janela. Tudo começou na aula de Design Tridimensional, da School of Visual Arts, em Manhattan, Nova Iorque. A turma do 3.º ano foi desafiada pelo professor Kevin O'Callaghan a criar cadeiras alternativas que reflectissem as inspirações dos alunos. Filipa Mota, natural de Leiria, nem pensou duas vezes: pegou em azulejos trabalhados em tons de azul e branco, num caixilho de uma janela ornamentada e em grades de ferro, que formariam uma varanda.

A partir daí, tudo pareceu fazer sentido. A janela funcionaria como as costas da cadeira, o chão da varanda serviria de assento e o gradeamento substituiria o repouso para os braços. Numa espécie de viagem de regresso a casa, tenta sempre incluir elementos portugueses nas criações. "É uma forma de me relembrar de onde venho e de quem sou e uma oportunidade para mostrar às outras pessoas um pouco disso também", conta a designer ao P3.

A jovem de 21 anos mudou-se para os Estados Unidos no último ano do secundário. Frequentou um colégio internacional em Boston, onde viveu com uma família de acolhimento, e foi aí que decidiu candidatar-se a universidades americanas. A adaptação não foi fácil mas, quando se mudou para Nova Iorque, no ano seguinte, não se sentiu nem por um segundo "deslocada". O curso de Design Gráfico pareceu-lhe a decisão mais acertada.

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Madison Avenue em dose dupla

A peça de Filipa Mota esteve exposta em frente à Gagosian Gallery durante três semanas, no âmbito da mostra Chairs That Inspire. Mas expor nesta avenida não é novidade para a designer portuguesa. Entre Outubro e Novembro de 2017, a propósito da iniciativa One Of A Kind, a artista apresentou um vestido e uma mala produzidos com talheres, cujos desenhos se inspiraram nas saias flapper dos anos 20. "Esta é uma aula com a reputação de criar projectos fora da caixa, tendo como objectivo final expor", explica. Nestes últimos dois anos, os alunos partilham as suas obras com quem passa na Madison Avenue.

Para além de permitir aumentar a rede de contacto dos artistas, expor na rua confere visibilidade às peças, que desaparecem do anonimato e atraem a curiosidade daqueles que percorrem a avenida nova-iorquina. "Não precisam de pagar bilhetes para entrar, está na rua, as pessoas passam, olham e vão embora".

Os estudantes têm pouco tempo para terminar as peças: as noites na oficina da universidade são longas e a pressão aumenta à medida que a data se aproxima. Ainda assim, ver o resultado final, em plena Madison Avenue, não poderia ser mais gratificante. "Estar à beira da minha peça e ver as pessoas a passar, a apontar, a falar, a comentar ou perguntarem-me se eu tenho alguma coisa a ver com ela e depois falarem comigo, é óptimo", admite.

Nova Iorque esteve sempre debaixo de olho

"Quando era pequenina, a minha mãe levou-me a um curso de pintura a óleo, eu devia ter perto de dez anos", recorda. "Foi uma das experiências de que mais gostei na minha infância." Mas a primeira obra de arte veio muito antes disso. Um dia perguntaram-lhe o que queria ser quando fosse grande e Filipa não hesitou em desenhar uma pintora, "com um quadro e uma natureza morta de uma taça de fruta". Tinha apenas três anos.

Teimosa, persistente e competitiva. É assim que Filipa Mota se descreve, antes de reparar que predominam os atributos negativos. "Tenho de dizer algo positivo, não é?", corrige, envergonhada. Se os amigos tivessem de a descrever, diriam o mesmo: que não tem medo de se chegar à frente, nem que seja para "tentar e falhar".

Por agora, a artista portuguesa vai estagiar num estúdio de design em Nova Iorque, mas abrir o próprio atelier ou tornar-se directora criativa são os objectivos que tem para um futuro mais distante. Estudar em Nova Iorque foi o primeiro sonho que Filipa Mota concretizou, mas promete, um a um, realizar todos os outros. E visitar o Japão e a Coreia do Sul está também no caminho.