José Sócrates: “O programa da direita é a Operação Marquês

Em entrevista à revista Visão, publicada esta quinta-feira, José Sócrates critica a direita por estar reduzida à “miserável condição” de ter como discurso o processo em que o antigo primeiro-ministro é arguido.

José Sócrates
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José Sócrates Enric Vives-Rubio

São oito páginas (2h54) de entrevista a pouco mais de 24 horas do início do 22.º Congresso do PS. No seu habitual estilo “entre a combatividade e o confronto”, José Sócrates fala à Visão sem poupar ninguém. Nem Cavaco Silva, nem António Costa. Nem Pedro Passos Coelho, nem Joana Marques Vidal. Nem o PS, nem o PSD. Diz que o partido de que fez parte foi “cúmplice dos abusos cometidos contra” si e que o “mal-estar vinha de trás”. Mas também assume que o PSD está com um “espírito revanchista” e que tem como programa político a Operação Marquês.

A última pergunta primeiro. “A vida pode trazer-lhe uma candidatura à Presidência da República?”, perguntam os jornalistas Filipe Luís e Octávio Lousada Oliveira. “Ó homem, há uma coisa que a vida nos trará com certeza: um dia acabará. Quanto ao resto, ver-se-á. Se tenho algum plano na cabeça? Não”.

Antes disso, outra questão que está na mente de muitos, incluindo socialistas: “Admite formar um novo partido?” Resposta: “Nada disso me passa pelo espírito. Só diz isso quem me conhece mal. O nosso futuro é aquilo que a vida nos trouxer.” Tudo em aberto para José Sócrates, que foge a respostas definitivas sobre o que há-de vir.

Mas não sobre o passado. O antigo primeiro-ministro repete que o “processo Freeport nasceu no gabinete de Santana Lopes”, que “organizou” um processo judicial “contra o líder da oposição”, e volta a sublinhar que aceitou “ser ajudado pelo seu melhor amigo de há 40 anos”. “Não é um construtor civil. É o meu melhor amigo. Não recebi, emprestou-me dinheiro que, aliás, já devolvi na sua maior parte”, sublinhou.  

Sócrates lamentou que o PS se tenha juntado às vozes críticas da direita numa condenação sem julgamento. “Isso é um acto ignóbil”, disse, depois de insistir que deixou o partido para evitar embaraços mútuos e que “não queria fazer mal ao PS”. E ainda acrescentou que a sua relação com António Costa está como há quatro anos: “Não existe.”

Não se furtou a uma avaliação do mandato de Marcelo. “O que vejo como mais significativo (...) foi distanciar-se do seu antecessor. Acho que isso foi tão ostensivo da parte dele que imediatamente agradou a todo o país. Mas não, não me agrada o estilo de aparecer nas televisões a comentar tudo.”