Justiça espanhola condena Bárcenas a 33 anos de prisão e PP por benefícios no caso Gürtel

O empresário Francisco Correa, considerado o cabecilha da rede de corrupção, foi condenado a 51 anos de prisão.

Luis Bárcenas, antigo tesoureiro do PP
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Luis Bárcenas, antigo tesoureiro do PP Reuters/SUSANA VERA

O antigo tesoureiro do partido espanhol PP, Luis Bárcenas, foi condenado a 33 anos e quatro meses de prisão e uma multa que ultrapassa os 44 milhões de euros, no âmbito do chamado caso Gürtel – um esquema de corrupção e financiamento ilegal que envolveu vários líderes políticos do Partido Popular (no poder), sobretudo locais e regionais, com empresários.

O próprio partido foi nesta quinta-feira também condenado pela Audiência Nacional espanhola, como pessoa jurídica, a pagar mais de 245 mil euros.

O empresário Francisco Correa, considerado o cabecilha da rede de corrupção, foi condenado a 51 anos de prisão.

Ao todo, 37 pessoas estiveram sentadas no banco dos réus para conhecerem nesta quinta-feira o seu destino. Apenas oito foram absolvidas.

Ana Mato, antigo ministra da Saúde, será obrigada a devolver quase 28 mil euros. Esta quantia corresponde ao montante que o tribunal considerou ter sido recebido por Mato irregularmente. O seu marido, Jesús Sepúlveda, antigo autarca de Pozuelo de Alarcón, em Madrid, foi condenado a 14 anos de prisão.

A investigação revelou que este esquema funcionou entre 1990 e 2004, período durante o qual o actual líder do PP e primeiro-ministro, Mariano Rajoy, desempenhou várias funções dentro do partido, entre as quais director de campanhas. No entanto, o chefe do Governo espanhol negou sempre ter tido qualquer conhecimento da rede.

Mas um dos protagonistas de todo o caso é Bárcenas, que é agora condenado por evasão fiscal em mais de 11,5 milhões de euros e de receber mais de 1,2 milhões em comissões por facilitar contratos públicos a vários empresários.

O antigo tesoureiro do PP está preso desde 2013, e tem denunciado vários dirigentes do partido.

Bárcenas foi indiciado no processo que investigava uma contabilidade secreta no PP, que foi depois incluído no caso Gürtel, onde o então tesoureiro organizou, durante quase 20 anos, uma “caixa B” que servia de destino para doações realizadas por empresas de forma a comprar adjudicações e contratos em regiões governadas pelo partido.

De acordo com a sentença, citada pelos jornais espanhóis, Bárcenas foi uma peça-chave de um “autêntico esquema de fraude do erário público” iniciado por Correa.

Em comunicado, o PP destaca o facto de nenhum dos condenados pertencer já às fileiras do partido. Já da parte do Governo a reacção foi e que nada deste processo coloca em causa o executivo e que “ninguém da direcção do PP – nem da actual nem das anteriores – teve conhecimento e muito menos deu o beneplácito a qualquer prática irregular”.

O El País descreve o caso como o "mais extenso e profundo esquema de corrupção da história democrática de Espanha e o pesadelo recorrente do PP na última década".