Bárcenas, o tesoureiro alpinista, subiu na vida enquanto controlou as finanças do PP

Ministério Público quer saber como enriqueceu tanto, para além do que justifica o seu salário

Quando Luis Bárcenas começou a trabalhar no que então ainda se chamada Aliança Popular, levava os sapatos rotos. Hoje tem pelo menos duas contas na Suíça, e numa delas chegou a ter 22 milhões de euros - sem que se conheçam quais as fontes de rendimento que lhe permitiram acumular tais somas.

O ex-tesoureiro do Partido Popular (PP) espanhol, a quem é atribuída a autoria dos cadernos de contabilidade secreta que estão a deixar a cúpula dirigente do partido sob suspeita de corrupção, teve durante anos um salário três vezes maior do que o do primeiro-ministro, mas isso não chegaria para acumular tanto dinheiro. As casas que foi comprando, na estância de esqui de Baqueira, no exclusivo Bairro de Salamanca, em Madrid, e em Marbella, exigiriam grande parte do seu ordenado de 200 mil euros anuais, e a sua mulher, Rosario Iglesias, não trabalha. Ele diz que negoceia em arte, mas não avança provas convincentes para o juiz Pablo Ruz, que o está a investigar no âmbito do "caso Gürtel" - um inquérito lançado pelo juiz Baltasar Gárzon e que revelou uma grande teia de corrupção entre empresários e dirigentes políticos do PP.

Bárcenas, um homem que se foi mantendo discreto, tem uma paixão: o alpinismo. Na sua juventude, escalou o Evereste, com Luis Fraga, sobrinho de Manuel Fraga, o fundador da Aliança Popular - que esteve na origem do PP. Conheceu-o na faculdade, tornou-se seu amigo de leituras, de aventuras - escalaram juntos, além da face norte do Evereste, o Olimpo (2917 metros) e o Elbrus (5642 metros), no Cáucaso. Para justificar as frequentes deslocações à Suíça - onde ainda ontem o juiz Ruz revelou ter sido descoberta mais uma conta em seu nome -, Bárcenas citou a sua paixão pelo alpinismo e pelo esqui. O musculado tesoureiro gosta de um desporto chamado heli-esqui, que implica ser lançado de um helicóptero com os esquis calçados para descer uma encosta, diz o El Mundo.

Bárcenas nega a autoria dos documentos de contabilidade manuscritos revelados pelo El País, tal como Mariano Rajoy e a cúpula dirigente do partido. Mas o que se diz é que estes papéis podem ser apenas a ponta do icebergue: Bárcenas terá nove caixas de sapatos cheias de papéis comprometedores para o PP. Quando se soube da sua conta na Suíça, diz o El Mundo, tê-los-á levado a um notário de sua confiança, para que sejam divulgados apenas se for preso. C.B.

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