Fotogaleria
Nuno Veiga/Lusa
Fotogaleria
Nuno Veiga/Lusa
Fotogaleria
Nuno Veiga/Lusa

Os bonecos de Estremoz vão ter uma nova casa em 2019

No Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte, no centro de Estremoz, vai nascer um centro interpretativo deste tipo de artesanato, classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO

O centro interpretativo dos bonecos de Estremoz (Évora), distinguidos pela UNESCO, vai ser instalado em 2019, no Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte, anunciou esta semana a vereadora da Cultura do município, Márcia Oliveira. A "Produção de Figurado em Barro de Estremoz", vulgarmente conhecida como bonecos de Estremoz, foi classificada como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em Dezembro de 2017. A vereadora do município de Estremoz, no distrito de Évora, indicou à agência Lusa que o centro interpretativo vai ser um local de concentração de actividades ligadas aos bonecos feitos em barro.

"Quem visitar Estremoz terá oportunidade, naquele espaço, de ter uma ideia mais concreta de como se fazem os bonecos, ficar a saber um bocadinho da história desta arte e ver ao vivo os artesãos a modelar os bonecos", explicou a autarca. Márcia Oliveira indicou que os visitantes do centro interpretativo vão ainda poder ver bonecos dos diferentes artesãos que trabalham nesta arte.

O centro interpretativo ficará instalado no Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte, que, segundo a vereadora, é "o espaço ideal, no centro da cidade, com uma luminosidade muito apelativa" e onde vai ser possível desenvolver actividades, como a feitura dos bonecos pelos artesãos, exposições e iniciativas de carácter educativo.

PÚBLICO -
Foto
Nuno Veiga/Lusa

"Os artesãos serão convidados para, sempre que queiram, trabalhar ao vivo naquele espaço", referiu. O novo equipamento vai ser também "um centro de atracção para novos artesãos", de acordo com a autarca, visto que, "com as actividades educativas a decorrer naquele espaço, praticamente em permanência, também os jovens poderão experimentar a arte".

"O plano de salvaguarda e o reconhecimento dos bonecos de Estremoz como Património Cultural Imaterial da Humanidade tinham este objectivo de atrair mais artesãos para a arte, para que esta arte corra o risco de desaparecer", realçou Márcia Oliveira. O centro interpretativo e o processo em curso de certificação dos bonecos de Estremoz pelo município fazem parte do plano de valorização e salvaguarda, que integra ainda, entre outras, actividades educativas.

Os bonecos de Estremoz pertencem a uma arte de carácter popular, com mais de 300 anos de história, tendo sido o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pelo município alentejano. Com mais de uma centena de figuras diferentes inventariadas, a arte, a que se dedicam vários artesãos do concelho, consiste na modelação de uma figura em barro cozido, policromado e efectuada manualmente, segundo uma técnica com origem, pelo menos, no século XVII.