Supervisor dos seguros fecha porta à entrada de grupo chinês

Só se o grupo chinês se submetesse a nova avaliação da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões é que as portas do negócio poderiam ser reabertas.

Janela, fachada
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CEFC China Energy já não vai comprar parte dos seguros do Montepio Joana Goncalves

A venda do controlo da holding Montepio Seguros à CEFC China Energy morreu. A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) estava há seis meses a avaliar a operação e a solidez do comprador, mas acabou por mandar encerrar o processo, por ausência de resposta aos pedidos de esclarecimentos dirigidos à CEFC.

Assim, na reunião do passado dia 10, o conselho de administração do supervisor dos seguros decidiu “considerar não instruída a comunicação prévia, da CEFC China Energy Company Limited, e do Shanghai Huaxin Group (Hong Kong) Limited, para aquisição de participação qualificada na Montepio Seguros, SGPS, S.A., ficando prejudicada a sua análise”, lê-se na deliberação da referida reunião.

Agora, para que o processo pudesse ter uma nova vida, o grupo chinês teria de voltar a submeter-se à avaliação da ASF, abrindo um novo dossiê.  

Em causa esteve a venda de pelo menos 60% da holding do grupo Montepio (que junta a Lusitânia Seguros, a Lusitânia Vida, a N Seguros e Futuro e a Sociedade Gestora de fundos de pensões). A Futuro esteve sempre fora do negócio luso-chinês que previa um investimento na Montepio Seguros entre 150 milhões e 200 milhões de euros.

A entrada da CEFC no grupo segurador português foi anunciada no final de 2017, e antes dos gestores e do dono terem sido detidos por suspeita de corrupção.

O negócio daria fôlego financeiro à Lusitânia Seguros e aliviava a Associação Mutualista Montepio Geral da pressão de ter no seu perímetro uma operação deficitária. E que já obrigou os 630 mil mutualistas a injectarem, no final de Abril, 30 milhões de euros na Montepio Seguros, para que este os canalizasse para a Lusitânia Seguros, repondo os rácios de capital nos patamares mínimos e evitando declarar uma situação de pré-insolvência.  

Esta é a segunda operação falhada em Portugal pelo grupo chinês que também chegou a estar a negociar a compra da Partex, o ramo petrolífero da Fundação Calouste Gulbenkian. A operação acabaria por ser dada por encerrada pela fundação no seguimento dos casos de corrupção em que o grupo chinês se viu envolvido.