,
Reportagem

O que é isso de ser um expatriado em Portugal

Chegam em grande número, à procura do sol, da gastronomia, da hospitalidade e de uma oportunidade para recomeçar uma vida. Portugal é o melhor país da Europa, e o quinto melhor país do mundo, para receber expatriados, segundo um inquérito da InterNations, uma rede social utilizada por três milhões de utilizadores. A empresa acaba de escolher o Porto para abrir o seu centro de desenvolvimento.

Um mês em Vila Nova de Gaia, um mês em Lisboa, um mês em Lagos. A principal decisão estava tomada: Karen Nipps iria pela primeira vez, nos seus 61 anos de vida, morar fora dos Estados Unidos da América. Recém reformada, do emprego de uma vida como bibliotecária em Boston, queria tentar começar algo novo em Portugal. “As pessoas perguntam-me, porquê? Eu respondo invariavelmente: ‘Porque não’?”, diz ao P2.

Portugal, garante, foi uma escolha óbvia: “Cheguei a considerar a hipótese do México. Mas para mim, que não conduzo, ter uma boa infra-estrutura de transporte também era fundamental. Estive em Portugal, como turista, há dois anos, e adorei. Pensei que não valia a pena procurar mais”, explicou. Nipps aterrou em Portugal em Setembro decidida a mudar de vida e apostada em escolher um bom sítio para morar. Foi em Novembro de 2017 que chegou de bagagens na mão, apenas com roupa e livros como companhia. Passou um mês em cada uma das três cidades portuguesas e, apesar de ter gostado muito de todas, a escolha acabou por recair no Porto. “Tem a dimensão certa”, diz. Mora num apartamento na zona de Campanhã, a zona mais oriental e menos desenvolvida da cidade, frequenta pequenas mercearias de bairro onde ninguém fala inglês. “Eu é que vim para cá, eu é que tenho de tentar falar português com eles”, sublinha, concedendo que seria mais fácil já saber mais sobre a língua, mas outras das decisões que tomou passa por aprender a falar português.

Em Fevereiro deste ano teve autorização de residência – “Não sou nenhum visto gold, não tenho essa capacidade financeira”, alerta. Esta norte-americana colocou mil euros como limite mensal de renda antes de iniciar a busca de casa. Gostou de uma casa em Campanhã, mais longe do frenesi do turismo, e ficou. “Não queria por nada viver num sítio onde só encontrasse turistas. Não sei como é que hei-de dizer isto, mas não acho bem que haja McDonald’s no centro do Porto.”

“Para lá de espectacular”

Karen não foi a primeira, nem será a última pessoa, que escolheu Portugal para passar os anos dourados da reforma. Terry e Elizabeth Hayden mudaram-se de Chicago para Portugal há sete meses. Ele, antigo corrector de bolsa, está reformado há quase vinte anos. Ela, reformou-se há menos tempo, também de um emprego no mercado de capitais. Viajaram um pouco por toda a Europa, viajaram muito por Portugal, onde vieram pela primeira vez há quatro anos. Em Setembro do ano passado instalaram-se no Porto, e com intenção de ficar uma longa temporada. Fizeram várias buscas de casa até acabarem por assinar um contrato de arrendamento num apartamento da Foz para um ano.

Terry tem dupla nacionalidade — para além de norte-americano, é também irlandês, o que faz dele um cidadão europeu a quem as exigências burocráticas são bem menos difíceis. “Depende do ponto de vista, eu até as achei difíceis. Tivemos de arranjar uma certidão de casamento. Isso nos Estados Unidos já nem se usa”, comenta, sentado à mesa de uma esplanada montada num terraço colado à muralha Fernandina, em pleno coração do Porto. Terry acha toda a gente muito simpática, o clima a e a gastronomia “para lá de espectacular”, apenas se queixa do pouco civismo de alguns condutores — “acham que basta ter um carro, que estão autorizados a estacionar em qualquer sitio” — e dos donos de muitos cães – “que fazem as necessidades onde lhes apetece e ninguém se preocupa em apanhar”.

Na mesma mesa está Tracy Lawlor, assistente social com residência fixa em São Diego, na Califórnia, mas que passou os últimos três meses em Portugal. Um mês em Lisboa, dois meses no Porto. Acabou de conhecer o casal Hayden. Estão a trocar impressões sobre a vida em Portugal e a experiência de viver no Porto. Tracy está quase a ver expirado o seu visto de turista, com 90 dias. “O Porto é, neste momento, a cidade que eu mais gosto em todo o mundo. Era capaz de me mudar para cá, agora!”, assegura. Não o vai fazer para já, porque ainda não está reformada. E os dez dólares à hora que lhe pagariam para ensinar inglês online também não são suficientes. Por enquanto. Mas vai pensar no assunto, assegura.

PÚBLICO -
Foto
Momento do encontro que juntou mais de uma centena de expatriados num bar do centro histórico do Porto Paulo Pimenta

Cradoc Bagshaw, fotógrafo e a mulher, Theresa, escritora, ambos reformados, também querem morar no Porto. Dizem que foi a cidade que os escolheu quando a visitaram pela primeira vez, em Maio do ano passado. “Viemos para o primeiro Festival de Fotografia do Porto e ficamos apaixonados. Com tudo”, conta Cradoc. Se em anos anteriores experimentaram cidades como Paris, em França, ou Marbella, em Espanha, onde também passaram longas temporadas, nunca tiveram vontade de ficar. “No Porto, sim. Foi automático”, admite Theresa.  Os Bagshaw dizem que não viver num sítio de reformados, mas antes querem “continuar excitados com a vida”. E no Porto sentem isso. Estão em Portugal desde Setembro, tiveram uma reunião com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) em Fevereiro, já sabem que vão ter autorização de residência. Mas ela ainda não chegou à caixa do correio. Já têm um apartamento arrendado na Pasteleira, junto à Foz, num edifício dos anos 60 que os apaixonou não só pela vista que tem sobre o estuário do Douro, como pela proximidade ao que lhes importa. “Estamos a uma viagem de autocarro do centro da cidade, e a umas passadas do oceano e do rio”, diz Theresa. “O Porto é perfeito”, remata Cradoc.

Sarah da Silva, 27 anos, quer muito morar no Porto, mas admite que está quase a desistir. Nasceu alemã, filha de pais açorianos, viveu um ano no Algarve, quatro anos em Londres, está há um mês no Porto, num pequeno intervalo antes de concluir o mestrado em educação ambiental e enquanto começa a procurar emprego no Porto. “Não percebo como é que os portugueses conseguem pagar estas rendas”, lamenta, queixando-se do oportunismo de alguns proprietários que cobram, por exemplo, 350 euros por um quarto, “que nem está no centro da cidade, mas no Marquês”. “Eu ainda o consigo pagar, porque tenho propinas alemãs, mas como fazem os portugueses em início de carreira?”, questiona. Resultado: “O mais provável é não conseguir ficar no Porto, apesar de gostar dessa possibilidade”, admite. Para já divide apartamento com Alessia Usai, uma italiana de 28 anos, que vivia em Malta e chegou ao Porto para usufruir “do ambiente criativo da cidade” e procurar uma ocupação na área das artes e ofícios, em que quer trabalhar. Chegou há dois meses. Está “a adorar”.

Quantos são, afinal?

Entre os que chegam para estudar, os que vêm fazer intercâmbios culturais, os que estão destacados por empresas, ou os que vêm ter com a família, procurar emprego ou aproveitar a reforma, quantos são os imigrantes que vivem em Portugal, afinal? No próximo mês de Junho, o SEF deve divulgar os números oficiais que dão conta da dimensão do universo de estrangeiros que no ano passado pediram visto para residir em Portugal. Por enquanto, há apenas dados provisórios, que apontam para um número superior a 29 mil autorizações especiais de residência concedidas em 2017 a naturais de países terceiros à União Europeia. Não sendo possível contabilizar o número de cidadãos de outros países da Europa que escolheram viver em Portugal, e que aqui chegaram trazidos por multinacionais que escolheram cidades portuguesas para abrir novas sedes, para estudar ou fazer investigação, o número de 29.055 autorizações de residência concedido a cidadãos estrangeiros, dá uma boa noção do universo de “expatriados” que vive em Portugal. 

O SEF não distingue se estes imigrantes vieram para Portugal para trabalhar, para acompanhar família, para estudar, para procurar emprego, para gozar a reforma. Sabe-se, apenas, que nos últimos seis anos o serviço regularizou a entrada em Portugal de mais de 150 mil imigrantes.

Uma plataforma onde é possível encontrar muita informação sobre a comunidade de expatriados em Portugal é a InterNations. A história desta empresa, fundada na Alemanha em 2007, é em tudo parecida com a do Facebook: dois amigos, ainda na Universidade, decidem criar uma rede que possa colocar pessoas com os mesmos interesses em contacto. Neste caso, o ponto de contacto principal é o facto de viverem num país diferente daquele em que nasceram, circunstância que potencia o cenário de virem a precisar de algum tipo de apoio durante a fase de integração. A InterNations tem hoje mais de três milhões de utilizadores, organizados por 390 comunidades em todo o mundo, mas é bastante mais do que uma simples rede social. É também o local onde muitos encontram informação prática para se estabeleceram numa nova cidade. Portugal tem cerca de 26 mil membros InterNations, divididos por três comunidades: Lisboa (18 mil membros), Porto (4800) e Cascais (3200 membros).

A adesão à Internations pode ser feita de forma gratuita, mas é sempre alvo de uma validação da empresa. É valorizada a experiência que cada um teve em termos de experiência no estrangeiro, e os membros Albatroz (aqueles que pagam uma taxa mensal, de cerca de oito euros) são os que tem acesso a um maior numero de serviços e de fontes de informação. E de bebidas gratuitas e bilhetes de entrada nos muitos eventos que os “embaixadores” ou os “consuls” que trabalham voluntariamente para a Internations organizam com regularidade em cada comunidade. Pode ser uma visita guiada ao Terminal de Cruzeiros de Leixões um passeio fotográfico pelo Porto, ou um evento fechado num bar do centro histórico da cidade com direito a sunset e a concerto de jazz. Como aquele em que o P2 foi encontrar Elizabeth e Terry, Alessia e Sarah, Cradoc, Theresa e Jannine, entre quase uma centena de pessoas. 

PÚBLICO -
Foto
Paulo Pimenta

O que é ser expatriado

Em Portugal são imigrantes. Para a Internations são “expatriados”, vivem longe da Pátria em que nasceram. O Índice Expat Insider 2017 analisa a experiência dos expatriados em 65 países e recai sobre tópicos essenciais, como a qualidade de vida, a facilidade de um emigrante se estabelecer, a compatibilização com a vida familiar, a organização das finanças pessoais e o custo de vida que tem em cada país. O índice é organizado através das respostas enviadas por 12.500 participantes, a viver em 188 países ou territórios e que representam, segundo a organização, 166 nacionalidades. “Deram-nos respostas únicas sobre o que significa ser um expatriado em 2017”, sublinhou Caroline Harsch, responsável pelo departamento de comunicação e relações públicas da InterNations. 

E de acordo com essas respostas, e no índice global, que mede todos os indicadores, Portugal protagonizou uma ascensão meteórica de 23 lugares, face ao ano anterior. No final de 2017, Portugal era o quinto melhor país do mundo, para acolher um imigrante. A primeira posição é do Bahrain, seguindo-se a Costa Rica, o México e depois Taiwan. No top dez só entram três países europeus: para além de Portugal, em quinto, surge Malta, em sétimo, e Espanha, em décimo lugar. Os cinco últimos lugares desta tabela com 65 posições estão a Arábia Saudita, o Brasil, a Nigéria, o Kuwait e, em último lugar, a Grécia.

O Index tem várias subcategorias, e é naquele que mede a Qualidade de Vida de um destino que Portugal se assume campeão, arrebatando uma liderança que, em 2016, pertencia ao território chinês de Taiwan. Para este índice, os inquiridos respondem a questões sobre opções de lazer, qualidade dos transportes e oportunidades de viagem, saúde e bem-estar, segurança e protecção, e ainda felicidade pessoal.

É no índice que mede a qualidade de vida percepcionada pelos expatriados que Portugal assumiu este ano o lugar cimeiro. A popularidade de Portugal entre os expatriados está em grande parte relacionada com o seu clima temperado e com o facto de as actividades de lazer estarem amplamente disponíveis. De acordo com o inquérito, nenhum entrevistado teve algo negativo a dizer sobre o clima, que quase dois terços (65%) consideram excelente. E nove em cada entre dez expatriados perceberam isso como um benefício potencial antes de se mudar. O bom resultado de Portugal na subcategoria Saúde e Bem-Estar — nono em todo o mundo — é, em certa medida, graças aos benefícios da natureza. 

Embora o país tenha resultados acima da média em relação à acessibilidade e qualidade dos cuidados de saúde, a verdadeira força de Portugal parece residir na qualidade do seu ambiente. Mais de nove em dez entrevistados (94%) classificam isso positivamente (a média mundial fica nos 64%). E se Portugal não entra no top 10 da subcategoria Protecção e Segurança, ocupando a 11.ª posição entre os 65 analisados, também é evidente que este não é um factor de preocupação. Aliás, nesta categoria, a tranquilidade é o factor mais bem classificado, com um impressionante resultado de 77% dos inquiridos a considerarem Portugal um país muito pacífico — apenas a Finlândia apresenta resultados ligeiramente melhores (78%). Por fim, 94% dos expatriados em Portugal estão satisfeitos com as suas oportunidades de viagem (e em todas as conversas lá vem à baila a proximidade do aeroporto, e das ligações aéreas para vários pontos da Europa). Já os transportes e as suas infra-estruturas não são plenamente convincentes: um em cada onze (9%) classifica este factor de forma muito negativa. Cômputo geral, apenas 4% expressam qualquer insatisfação com a sua nova vida em Portugal. E isto quer dizer que, na InterNations, Portugal é mesmo um campeão de notoriedade. 

Nem tudo são rosas

Dos 26 mil utilizadores que em Portugal usam a plataforma da InterNations, 73% são de facto expatriados e só 27% é que são locais, isto é, portugueses que também participam na rede e ajudam a melhorar o serviço prestado na integração de imigrantes. “Ter essa ajuda de nativos é fundamental. Porque eles conhecem bem a cidade, e são as melhores pessoas para ajudar quem acabou de chegar. Quando vim para Portugal não conhecia rigorosamente ninguém. Hoje, sinto-me praticamente adoptada por alguns amigos portugueses. Já vivi em Madrid e em Hong Kong, e nunca foi assim, em lado nenhum”, diz Natalia Martinez, uma colombiana que vive em Matosinhos há um ano e sete meses, e uma das “embaixadoras” da InterNations no Porto.

Com 34 anos, Natália conheceu a InterNations em Bogotá, quando regressou a casa depois de experiências a viver em Londres, em Madrid e em Hong Kong. “Sentia necessidade de continuar a conviver com pessoas de outros países. Disponibilizei-me para lhes dar a conhecer o que podia do meu país, e a verdade é que sempre recebi muito mais do que dei em troca”, afirma. Natália veio para Portugal depois de ter respondido a um anúncio de emprego da E-Goi, uma empresa de marketing, especializada em conceber e divulgar campanhas de marketing através de automatismos via e-mail, SMS, etc.

PÚBLICO -
Foto
Como “embaixadora”, Natália anda desde Novembro a “fazer as honras da casa” e a dar as boas-vindas a todos os novos membros da InterNations Paulo Pimenta

“Portugal converteu-se nos últimos anos num país de moda, está nos olhos de todo o planeta. E quando falo em planeta, sei o que digo, porque encontro viajantes de todos os pontos do globo a visitar Portugal”, afirma, convicta. Porquê? “Porque ainda é um país autêntico.”

Natalia Martinez diz que se deixou encantar pela qualidade de vida em Portugal, pela simpatia dos seus habitantes. Não tanto pelos salários, que são muito baixos. “Mas foi uma solução de compromisso que encontrei. Se quisesse ganhar dinheiro ia para Berlim, ou para Londres. Aqui não ganho tanto dinheiro, mas tenho maior qualidade de vida, não gasto tempo no caminho para o trabalho, tenho mar à porta e montanha aqui ao lado, boa gastronomia e excelente vinho. E as pessoas são muito simpáticas”, argumenta.

Como “embaixadora”, Natália anda desde Novembro a “fazer as honras da casa” e a dar as boas vindas a todos os novos membros da InterNations. Envia os links com sites para procurar casa, dá informações sobre transportes, partilha a experiência que já teve com as burocracias portuguesas — por exemplo, a dificuldade que está a ter em validar a sua carta de condução. “O normal dos expatriados é chegarem aos novos países sozinhos. É muito caro para as empresas trazer as famílias. O resultado é, por exemplo, passarem domingos tristes, sentados no sofá, porque não conhecem ninguém, e os que conhecem, no emprego, tem famílias e compromissos”, recorda, dizendo que a componente social da InterNations é uma das mais relevantes desta rede.

A InterNations quer, porém, crescer e expandir-se, e escolheu precisamente o Porto para abrir um novo centro de desenvolvimento, para o qual esperam recrutar meia centena de trabalhadores nos próximos três anos. O que convenceu a InterNations foi a percepção de que há no Porto um clima de aceleradores e start-ups “efervescente”, com muitos empreendedores a tentarem aqui a sua sorte, mas também grandes empreendedores internacionais a expandirem o seu negócio. “O Porto é uma booming-city. A crescente cena de start-ups e empreendedores internacionais do Porto tornam-no um local perfeito para expandir nossos negócios”, disse ao P2 Malte Zeeck, um dos co-fundadores da empresa que já tem mais de 130 funcionários.

O novo centro de desenvolvimento da empresa situa-se no Parque de Ciência e Tecnologia do UPTEC da Universidade do Porto e complementa a sede em Munique, bem como os escritórios em Vilnius e Madrid. “Estamos muito focados em ligar pessoas. Queremos começar a oferecer serviços. Tratar de vistos, fazer mudanças, ajudar a procurar casa e creches, dar referencias onde se pode aprender a língua. Queremos oferecer toda a informação e ajuda que cada expatriado possa necessitar”, explica Zeeck. 

PÚBLICO -
Foto
Centro de desenvolvimento da InterNations no Porto Nelson Garrido

Susy Vasconcelos, 35 anos, licenciada em Ciências da Computação pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, é a portuguesa responsável por esse centro de desenvolvimento. Em conjunto com Helder Fernandes, de Famalicão, contratado em Março, e com Andreas Goetz, de Roterdão, contratado em Abril, está a começar a desenvolver a plataforma tecnológica e o pacote de serviços que estarão disponíveis para venda online, seja a empresas seja a particulares. As contratações deverão disparar até ao final do ano, querem contratar até 50 pessoas nos próximos três. “É um recrutamento à escala global. Começo a achar que já é difícil contratar os perfis de marketing que procuramos aqui em Portugal. Precisamos de alguém muito sénior na área do Search Engine Optimization, por exemplo, e aqui já há muitas empresas a contratar. Estamos a ter dificuldades. Mas o recrutamento é global, podemos ir buscar alguém de qualquer país que tenha vontade de vir para o Porto”, afirma a responsável. Susy conheceu a InterNations em Berlim, quando foi para lá com marido e filha nos braços, e usou a informação disponibilizada pela rede para se estabelecer. Foi para a Alemanha trabalhar na Techstars, um acelerador de empresas, e é essa experiência com start-ups que levou a InterNations a confiar-lhe uma.

O regresso ao Porto depois de experiência a viver em Madrid (Espanha), no Brasil, nos Estados Unidos, na Escócia e em Berlim (Alemanha), acabou por ser uma boa noticia. “Sei o que sente um imigrante quando chega a uma cidade desconhecida, e o tipo de pequenos grandes problemas que precisa que o ajudem a resolver. É esse produto que nós vamos montar”, diz Susy.

Enquanto esse produto não existe a InterNations vai servindo para muita coisa. A Jeannine Johnson-Maia — uma norte-americana que viveu 25 anos na Bélgica, um ano em Cabo Verde e veio parar ao Porto, cidade que conhecia bem por ser a terra do ex-marido, há menos de um ano — serviu-lhe para encontrar um editor. “Uma amiga de Singapura falou-me nestes encontros, aqui comecei a conhecer muitas pessoas que conheciam outra e o networking permitiu encontrar um editor”. No próximo dia 21 de Junho vai lançar um romance histórico, Praça do Rossio, nº 59, com a chancela da Leya.