Utentes exigem obras em estrada mortal com milhares de garrafões iluminados

Acidentes no troço da EN 3 que liga Azambuja ao Carregado já terão provocado 38 mortes em 18 anos.

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Distribuir milhares de garrafões de água iluminados com uma vela no fundo pelo troço da Estrada Nacional n.º 3 (EN3) que liga Azambuja ao Carregado é o objectivo da Plataforma EN3 para a noite de 15 de Maio. A iniciativa pretende alertar para a falta de segurança numa estrada nacional onde já morreram 38 pessoas nos últimos 18 anos em consequência de acidentes de viação, segundo os números das corporações de bombeiros locais.

O último acidente mortal deu-se na madrugada de quinta-feira e provocou uma vítima mortal e dois feridos. Eram cerca das 4h35 quando dois ligeiros chocaram junto à localidade de Vila Nova da Rainha. O acidente obrigou ao corte da circulação na EN3 durante cerca de duas horas.   

Criado há três anos para reclamar medidas da Infra-estruturas de Portugal (IP), o movimento Plataforma EN3 lamenta que pouco ou nada tenha sido feito numa via utilizada diariamente por muitas dezenas de milhares de viaturas e por muitos milhares de pesados, na sua maioria ligados aos centros de distribuição alimentar ali existentes.

Este troço da EN3 é a única via de ligação dos concelhos de Azambuja e do Cartaxo ao nó do Carregado, que dá, depois, acesso às auto-estradas n.º 1 e n.º 10, à Ponte da Lezíria e à Estrada Nacional n.º 1.

A estrada não tem faixas de aceleração nem passeios, tem falta de iluminação e torna-se ainda mais perigosa pelas dezenas de outras vias que ali desembocam.

Dez mil camiões

Segundo cálculos do comandante do Bombeiros de Azambuja, serão cerca de 10 mil os camiões que circulam diariamente neste troço de “elevada sinistralidade” compreendido entre Azambuja e o Carregado.   

Neste “Dia das Famílias”, os promotores pretendem “manifestar a necessidade urgente de obras, para a redução da sinistralidade rodoviária”, num troço de oito quilómetros da EN3 onde, “do ano 2000 a 2018, já foram ceifadas 37 vidas” (contabilização que ainda não contemplava o acidente ocorrido na quinta-feira).

A Plataforma EN3 já recolheu cerca de 2000 garrafões que vão ser preenchidos com areia e com velas e que, na noite de dia 15, pretendem ilustrar o sentimento dos utentes da via.    

Na iniciativa, onde está prevista a presença de deputados e de autarcas dos concelhos de Azambuja e de Alenquer, serão também “homenageadas as vítimas da EN3”, com o descerrar de uma placa evocativa no Parque das Merendas, em Vila Nova da Rainha.

André Salema, Inês Louro e Joaquim António Ramos são três dos principais dinamizadores do movimento Plataforma EN3.

O último, que presidiu à Câmara de Azambuja de 1998 a 2013, recorda que, há cerca de dez anos, quando o Governo de José Sócrates decidiu mudar a localização do novo aeroporto da Ota para a zona do Campo de Tiro de Alcochete, foi aprovado um “pacote de compensações” que incluía a requalificação deste troço da EN3, mas quase nada avançou. Por isso, André Salema defende mesmo uma acção judicial contra a actual IP (antiga Estradas de Portugal) por incumprimento das promessas de realização de obras. Uma questão que a Câmara de Azambuja Municipal promete avaliar.

IP promete fazer obras

Já a IP, em resposta ao PÚBLICO, garante que “tem previsto no seu plano de investimentos de médio prazo, o desenvolvimento de várias intervenções de requalificação e reforço da segurança rodoviária na EN3, designadamente em troços inseridos nos concelhos de Alenquer, Azambuja e Cartaxo”.

De acordo com o gabinete de comunicação da empresa pública responsável pelas estradas nacionais, ainda em 2018 deverá avançar a empreitada de reformulação do ilhéu de rotunda situado na vila do Carregado, numa intervenção que prevê o reforço da segurança rodoviária num troço com cerca de 250 metros, entre os quilómetros 0,100 e 0,350, que liga também ao acesso à Auto-estrada do Norte.

Depois, acrescenta a IP, será lançada empreitada para a requalificação do troço da EN3 com cerca de 4,7 quilómetros, entre as proximidades do Carregado (km 1,5) e Vila Nova da Rainha (km 6,2).

Para os próximos anos (plano de médio prazo), a IP planeia, ainda, “trabalhos de melhoria das condições de segurança, de tratamento de travessias urbanas e reformulação de cruzamentos e entroncamentos, a executar ao longo de um troço com 15 quilómetros de extensão, entre os quilómetros 1,6 e 16,6” — trajecto que abrange os concelhos de Alenquer, Azambuja e Cartaxo.