CGTP pede salário mínimo de 650 euros em 2019

Combate à precariedade, à baixa natalidade e à corrupção foram palavras-chave no discurso de Arménio Carlos, líder da CGTP, na Alameda.

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Arménio Carlos ainda durante o desfile Nuno Ferreira Santos
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A troika ainda se ouve nos discursos do primeiro de Maio. O Governo PSD/CDS ainda não deixou de ser referido pelos sindicalistas no Dia do Trabalhador. As marcas que deixaram, quer uns, quer outros, servem para fazer a ponte para a actualidade e deixar avisos ao executivo de António Costa: cuidado com as companhias, disse Arménio Carlos, do palco da Alameda, ainda que o tivesse feito por outras palavras.

"O Governo do PS não pode continuar a dizer que é de esquerda e a convergir com a direita", afirmou o líder da CGTP, referindo-se aos acordos "em políticas de municipalização" e de "fundos europeus" assinados entre António Costa e Rui Rio. O aperto de mão entre o PS e o PSD doeu à esquerda, e não foi só à geringonça.

Arménio Carlos falou sobre o percurso positivo feito nos últimos dois anos e meio, com a ajuda das diferentes forças de esquerda, mas concluiu que se chegou a uma "estagnação, frustrando algumas expectativas e levando ao aumento da contestação". Por isso, há uma reivindicação que a CGTP quer deixar já: o salário mínimo nacional tem de subir para 650 euros em 2019. e haverá uma grande manifestação nas ruas, em Junho.

Os órgãos da CGTP "anunciam hoje a reinvindivação de que no dia 1 de Janeiro de 2019 o salário mínimo nacional deve passar para os 650 euros", afirmou Arménio Carlos, mostrando-se mais ambicioso do que o BE (pede aumento de 5%) ou a UGT (615 euros).

O Governo tem de "falar menos com Bruxelas" e tem de "romper com a política de direita" que o está a fazer recuar, aconselhou o líder da CGTP, pedindo ao Governo que ajude Portugal a libertar-se do garrote da dívida e do programa de estabilidade para poder "investir no bem estar individual e colectivo".

Arménio Carlos exortou o executivo a assumir um papel central nos serviços financeiros e a acabar com a opção de sucessivos governos pelo grande capital. E exigiu melhor redistribuição do “dinheiro que abunda para acudir aos bancos e falta à saúde, tarda na segurança social e não se vê na cultura”. Porque, explicou, “não é aceitável que os salários em 2017 fossem 8,2% mais baixos do que eram em 2010”.

Nesta altura do seu discurso, Arménio Carlos lançou uma exigência: “É necessário e urgente o aumento dos salários no sector público e privado (…). É urgente que o Governo assuma que no próximo Orçamento do Estado vai lá colocar cláusula a dizer que vai haver aumento geral dos salários para 2019”. Seguiu-se uma ameaça: “Se não quiserem seguir este caminho, contem com a oposição da CGTP”.

Para a CGTP, não será o aumento dos salários a “deitar as empresas abaixo”, antes será, sim, “um instrumento que dinamiza a procura interna e promove o escoamento” da produção. “Em recessão não era possível, em estagnação continuava a não ser, e agora fala-se num processo cíclico para dizer que não, com a economia a crescer. Então, quando é que [os salários] podem crescer? Não é para amanhã, é para hoje”, concluiu.

Referindo-se a “casos de corrupção e gestão danosa”, o sindicalista disse ainda: “É tempo de dizer basta. É tempo de acabar com esta vergonha e deixarem de meter a mão nos bolsos dos trabalhadores”.

Além de ter apresentado a longa lista de reivindicações da CGTP, que vai das reformas completas para quem tem longas carreiras contributivas ao combate à precariedade, passando pela redução da jornada de trabalho, Arménio Carlos deixou uma promessa. “Não desistiremos de estar lá, ao lado dos trabalhadores”, disse, explicando que prefere estar deste lado, do que do outro, na concertação social, a assinar acordos com os patrões.

Em Figueiró dos Vinhos, Carlos Silva anunciou por sua vez que a UGT apresentará, em sede de concertação social, uma proposta de taxa de IRC a 0% durante três anos para empresas que se fixem no interior.