Diz-me como teclas, dir-te-ei como te sentes

Algoritmo analisa a forma como as pessoas usam o teclado do telemóvel para detectar estados como euforia e depressão.

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Luke Porter/Unsplash

Não é novidade que os telemóveis permitem saber muito sobre quem os usa. Mas um grupo de investigadores afirma ter criado um método para detectar estados como euforia e depressão apenas a partir da forma como as pessoas usam o teclado.

A equipa, que reúne académicos das universidades do Illinois e do Michigan, nos EUA, e da Universidade de Tsinghua, na China, criou um teclado virtual que recolhia alguns dados sobre a forma como as pessoas escreviam (mas, por questões de privacidade, não as palavras que eram escritas). Entre a informação analisada estava o tempo que os utilizadores demoravam a premir cada tecla e o tempo que demoravam entre duas teclas. O acelerómetro do telemóvel foi usado para determinar a posição do aparelho. Os investigadores pediram também às pessoas que participaram no estudo – pessoas com doença bipolar e um grupo de controlo sem esta doença – para descreverem como se estavam a sentir nos vários momentos em que usaram o telemóvel para escrever mensagens ou outro tipo texto. Com essa informação, a equipa criou um algoritmo que foi capaz de correlacionar os padrões de escrita com aquelas descrições. Os resultados coincidiam em cerca de 90% das vezes com o que as próprias pessoas tinham indicado.

“O uso crescente de formas de comunicação electrónica apresenta novas oportunidades para o estudo da saúde mental, incluindo a possibilidade de investigar manifestações de doenças psiquiátricas de forma não intrusiva e no contexto da vida quotidiana dos doentes”, escreveram os investigadores.

A técnica recorre a redes neuronais, uma tecnologia de inteligência artificial que está em voga e que é inspirada no funcionamento do cérebro, e as conclusões foram publicadas no ArXiv, um repositório de artigos científicos que não passaram necessariamente pelo processo de peer review. O sistema pode ser experimentado por qualquer pessoa através de uma aplicação para iPhone.

Está longe de ser a primeira vez que a forma como as pessoas usam uma tecnologia de informação é usada para detectar perturbações mentais e de humor. O Facebook, por exemplo, tem um sistema de inteligência artificial que tenta antecipar pensamentos suicidas e alertar atempadamente os amigos do utilizador.