Burnout afecta todos os trabalhadores dos hospitais

Estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto conclui que problema é transversal a todos os profissionais.

<i>Burnout</i> não afecta apenas médicos e enfermeiros
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Burnout não afecta apenas médicos e enfermeiros Rui Gaudêncio

Um estudo coordenado pela Unidade de Investigação em Epidemiologia, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) concluiu que a síndrome de burnout afecta todos os profissionais que trabalham em hospitais, independentemente da função que desempenham.

Os investigadores defendem, por isso, que os programas com vista a reduzir os níveis de burnout nesta população devem ter em consideração todas as categorias profissionais e não apenas os profissionais de saúde que lidam de forma mais directa com os doentes.

A síndrome de burnout é um estado de fadiga física e mental cuja causa está intimamente ligada à vida profissional e que engloba três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e falta de realização pessoal.

A investigação, publicada na revista Occupational Medicine, surgiu para tentar colmatar a falta de informação sobre a prevalência do burnout em profissionais hospitalares cujas funções não estavam directamente ligadas ao tratamento da doença.

Ana Henriques, investigadora do ISPUP, explicou que "a síndrome do burnout era mais frequentemente avaliada em médicos e enfermeiros, havendo menos evidência sobre a sua prevalência em outras categorias profissionais que trabalham em contexto hospitalar".

Além de procurar avaliar a prevalência deste problema em cinco categorias de profissionais do contexto hospitalar (auxiliares de acção médica, enfermeiros, técnicos superiores de saúde e de diagnóstico e terapêutica, administrativos e médicos), a investigação tentou também perceber em que medida é que a categoria profissional se associa a níveis elevados de burnout.

Participaram no estudo 368 profissionais hospitalares, que responderam a um questionário por e-mail.

"Entre os médicos, enfermeiros e técnicos administrativos, verificámos um risco elevado de burnout em proporções muito semelhantes. Contudo, isso não significa que os motivos que levam ao burnout sejam os mesmos", diz a investigadora, que sublinha a necessidade de estudos complementares que avaliem as causas desta síndrome.

Ao nível de políticas de saúde pública, o estudo sublinha que "os programas futuros que visem reduzir os níveis de burnout em ambientes hospitalares devem ter em linha de conta todas as categorias profissionais e as especificidades de cada uma delas".

O estudo The effect of profession on burnout in hospital staff é também assinado pelos investigadores Maria Manuel Marques, Elisabete Alves, Cristina Queirós e Pedro Norton.

O Serviço de Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar de São João, o Departamento de Ciências da Saúde Pública e Forenses e Educação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto participaram também na investigação.