Criminalidade geral aumentou 3,3%. Crimes violentos caíram quase 9%

Subida da criminalidade geral ficou a dever-se, essencialmente, ao aumento da prática de crimes de moeda falsa, incêndio florestal e burlas em vendas e arrendamentos na Internet.

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O Ministro da Administração Interna acompanhado pela secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, na conferência de imprensa desta quarta-feira LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

A criminalidade violenta e grave baixou 8,7% no ano passado em relação a 2016. Estes crimes representam menos de 5% (4,4%) de toda a criminalidade registada no país. No mesmo período a chamada "criminalidade geral" aumentou 3,3%, passando de 323.973 para 341.950 crimes registados.

Os dados constam do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2017, que foi brevemente apresentado nesta quarta-feira pelo ministro Eduardo Cabrita, em Lisboa, no fim da reunião do Conselho Superior de Segurança Interna onde o documento foi apreciado. O RASI é nesta quinta-feira entregue no Parlamento e só aí será tornado público, fez saber o ministério.

O aumento da criminalidade geral em 3,3% no ano passado ficou a dever-se, essencialmente, às subidas observadas em três tipologias de crime. O mais destacado é o de contrafacção e o de passagem de moeda falsa, cujo aumento de 246% se deveu a “meras razões estatísticas”, segundo justificou Eduardo Cabrita, explicando que a GNR registou em 2017 um conjunto de processos “relativos a vários anos”, fazendo com que este valor não reflicta “nenhum fenómeno generalizado de crescimento de circulação de moeda falsa no país”.

Segue-se um “crescimento significativo” da prática do crime de incêndio florestal, que passou de 8779 registos para 11221. “Tal decorre da situação dramática ocorrida em Portugal no ano passado”, disse Eduardo Cabrita, mas também “da correspondente intensificação” da intervenção das forças de segurança. Nos primeiros três meses do ano foram detidas “mais de três dezenas” de pessoas pela prática deste crime, adiantou.

Diminuíram os furtos em residências

Registou-se ainda um aumento dos crimes relacionados com os consumidores que são identificados no relatório como “outras burlas”. Neste campo, segundo o ministro, o RASI nota um especial aumento das burlas relativas a vendas e arrendamento de imóveis, sobretudo na Internet.

Já a diminuição da criminalidade violenta, diz o governante, é uma tendência que “deve ser registada como globalmente positiva”. Diminuíram 14% os furtos em residências, 11% os furtos de veículos motorizados, 6,4% “as ocorrências em meio escolar” e caiu em 8,8% a criminalidade grupal. Eduardo Cabrita realçou ainda, sem referir valores, a queda dos roubos na via pública, por esticão e em transportes públicos.

Para o governante, estas estatísticas vêm consolidar “uma tendência de redução da criminalidade violenta e grave que se vem verificando na última década".

Fevereiro sem assaltos em multibancos

Recordando a onda de assaltos a caixas de multibanco no país, prática que aumentou 73% face a 2016 e teve especial incidência em Outubro do ano passado, Eduardo Cabrita afirmou que “desde então” há uma diminuição significativa da prática deste tipo de crime. E que tal é “fruto das medidas tomadas” em articulação com as várias entidades da Justiça e Segurança.

Esta quebra notou-se, garantiu, logo em Novembro e Dezembro, e tem vindo a confirmar-se nos primeiros meses deste ano. Em Fevereiro, “pela primeira vez em muitos meses”, não foi registado qualquer assalto.

Como áreas prioritárias de intervenção, o governante sinalizou, além dos incêndios florestais, a sinistralidade rodoviária. Neste campo considerou ser importante actuar com “medidas de sensibilização” e através da identificação dos locais ou situações que contribuíram para o aumento de vítimas mortais nas estradas.

O ministro da Administração Interna destacou ainda o facto de, no plano internacional, o país ser considerado um dos mais seguros do mundo, o que considerou importante para a qualidade de vida dos cidadãos residentes, assim como para a percepção positiva do país por parte de turistas e investidores. Para Eduardo Cabrita, a segurança “é decisiva para a evolução da economia portuguesa”.