PSD

Santana critica forma como direcção de Rio convidou Feliciano a demitir-se

Ex-primeiro-ministro desafio Rui Rio a "inaugurar a liderança".
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Nuno Ferreira Santos

Pedro Santana Lopes diz não ter gostado de ver a forma como, em seu entender, Feliciano Barreiras Duarte “foi convidado a demitir-se, em dois dias consecutivos”, do cargo de secretário-geral do PSD, por ter mantido no seu currículo que era visiting  scholar em Berkeley, sem que tal tenha chegado a verificar-se. No seu espaço de comentário na SIC Notícias, nesta terça-feira, Santana Lopes disse não pretender “dar um qualificativo” ao que se passou, mas sublinhou que estava em causa “um colaborador próximo” da nova liderança social-democrata e que Rio não foi certamente indiferente a esta pressão, na imprensa, da direcção sobre Barreiras Duarte, a quem Santana também apontou não ter admitido o erro.

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O epílogo do caso Feliciano Barreiras Duarte serviu para Santana Lopes fazer votos de que tenha acabado o “alerta laranja” – “o partido tem estado constantemente sob mau tempo desde as directas”, disse – e para desafiar Rui Rio a “inaugurar a liderança”. “Não é com um encontro com António Costa e outro com Assunção Cristas” que Rio começará a liderar o PSD, mas sim "com a apresentação de propostas e com o combate ao Governo", reforçou o candidato derrotado às eleições de 13 de Janeiro para a presidência do partido.

Na escolha de José Silvano para novo secretário-geral - que Santana Lopes conta ver ratificada no conselho nacional -, o ex-primeiro-ministro diz ver “um toque cavaquista”, de Rio, por ter sido “surpreendente”. Nos últimos dias foi noticiado que os membros santanistas do conselho nacional estavam desagradados, por não terem sido ouvidos acerca desta escolha que depende da sua confirmação.

Pedro Santana Lopes recordou que, quando Luís Filipe Menezes, do Porto, foi presidente do PSD e escolheu Ribau Esteves, de Aveiro, para secretário-geral, houve quem comentasse que, quando um destes responsáveis fosse de longe de Lisboa, seria desejável que o outro fosse da capital. Nessa medida, considerou a escolha de Silvano mais uma opção de Rio por “alguém distante da corte”, para usar o termo usado pelo novo líder do PSD.

Santana Lopes disse ainda lamentar o que aconteceu nestes primeiros tempos de liderança de Rio, ressalvando, espontaneamente, que não teve “nenhuma responsabilidade nisso”. “Depois da história do grupo parlamentar, de Elina Fraga, de Feliciano Barreiras Duarte, espero que [Rui Rio] se sinta finalmente em condições de inaugurar a sua liderança”, reafirmou.